O Senado dos Estados Unidos retoma os trabalhos nesta segunda-feira enquanto republicanos avançam em um plano para ampliar o financiamento das agências de imigração e segurança interna sem apoio dos democratas. No entanto, a inclusão de recursos ligados à reforma da Casa Branca promovida pelo presidente Donald Trump pode complicar a tramitação da proposta.
Na semana passada, republicanos das comissões de Justiça e Segurança Interna do Senado apresentaram um texto legislativo prevendo US$ 72 bilhões para ações do Departamento de Segurança Interna (DHS) até o ano fiscal de 2029.
O pacote destina mais de US$ 38 bilhões ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e US$ 26 bilhões à Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Além disso, o projeto prevê US$ 1 bilhão para o Serviço Secreto realizar “ajustes e melhorias de segurança”, incluindo obras relacionadas ao chamado “Projeto de Modernização da Ala Leste” da Casa Branca.
A iniciativa inclui a construção de um salão de baile de aproximadamente 8,3 mil metros quadrados, além da modernização de instalações subterrâneas ligadas à segurança nacional e atendimento médico.
Segundo o texto, os recursos poderão ser usados em estruturas de segurança acima e abaixo do solo.
Trump anunciou a reforma da Ala Leste em julho do ano passado. Em outubro, a estrutura existente foi demolida, e o governo acelerou as obras alegando necessidade de ampliar a segurança e melhorar a capacidade de receber grandes eventos.
O presidente voltou a defender o projeto após o tiroteio ocorrido no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no mês passado.
Apesar disso, a construção enfrenta disputas judiciais. Em março, o projeto chegou a ser temporariamente bloqueado, mas uma corte federal de apelações autorizou a retomada das obras no mês passado. A próxima audiência está marcada para 5 de junho.
A Casa Branca comemorou a inclusão dos recursos no pacote republicano.
“O Congresso reconheceu corretamente a necessidade desses fundos”, afirmou o porta-voz Davis Ingle em comunicado.
Segundo ele, Trump considera essencial que a Casa Branca seja “um complexo seguro para futuras gerações de presidentes e visitantes”.
O texto legislativo determina que nenhum dos recursos poderá ser utilizado em elementos não relacionados à segurança. Trump tem afirmado repetidamente que o salão de baile será financiado por doações privadas, e não por dinheiro público.
Ainda assim, democratas passaram a usar a proposta como exemplo do apoio republicano ao projeto, que enfrenta resistência em pesquisas de opinião.
“Em um momento em que os americanos mal conseguem pagar as contas, os republicanos dizem ‘que comam bolo’ e ainda entregam a Trump US$ 1 bilhão para construir um salão de baile para servi-lo”, escreveu o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, em carta enviada aos colegas do partido.
Schumer prometeu que os democratas usarão “todas as ferramentas possíveis” para tentar barrar o plano republicano.
No entanto, os republicanos controlam 53 das 100 cadeiras do Senado e podem aprovar o pacote utilizando o mecanismo de reconciliação orçamentária, que exige apenas maioria simples, sem necessidade de apoio democrata.
Mesmo assim, a verba relacionada ao salão de baile pode gerar desgaste político entre republicanos em disputas eleitorais apertadas antes das eleições de novembro.
Nos próximos dias, as comissões do Senado devem avançar com a análise do projeto. Trump estabeleceu prazo até 1º de junho para que Câmara e Senado aprovem a proposta e a enviem para sanção presidencial.
Fonte: CBS

