Juíza bloqueia temporariamente fundo bilionário criado por Trump contra suposta "perseguição política"

Medida suspende pagamentos do chamado "Anti-Weaponization Fund" enquanto Justiça analisa ação que questiona legalidade do programa

Por Lara Barth

Presidente Trump completa 365 dias de seu segundo mandato

Uma juíza federal dos Estados Unidos determinou nesta sexta-feira (29) a suspensão temporária dos pagamentos ligados ao “Anti-Weaponization Fund”, fundo bilionário criado pelo governo do presidente Donald Trump para indenizar pessoas que alegam ter sido alvo de perseguição política durante a administração Biden.

A decisão foi assinada pela juíza distrital Leonie Brinkema, da Virgínia, que ordenou a interrupção imediata de qualquer ação relacionada ao funcionamento do fundo — incluindo transferências de dinheiro e análise de pedidos de indenização.

O programa, anunciado pelo Departamento de Justiça na semana passada, prevê cerca de US$ 1,776 bilhão em recursos para compensar cidadãos que afirmam ter sido injustamente investigados ou processados pelo governo anterior.

A criação do fundo gerou forte reação política nos Estados Unidos após Trump concordar em encerrar processos bilionários que movia contra o IRS (Receita Federal americana) e contra autoridades ligadas às investigações sobre:

- a suposta interferência russa nas eleições de 2016,
- e a operação de busca realizada em sua propriedade de Mar-a-Lago, em 2022.

Críticos acusam o governo de possível uso indevido de dinheiro público e apontam preocupação de que recursos possam beneficiar aliados políticos de Trump, incluindo envolvidos nos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

A ação judicial que levou ao bloqueio foi apresentada por Andrew Floyd, ex-promotor responsável por casos relacionados à invasão do Capitólio.

Os autores alegam que o fundo seria discriminatório e favoreceria exclusivamente apoiadores do presidente republicano.

Apesar da suspensão temporária, a juíza ainda não decidiu sobre a legalidade definitiva do programa. Uma nova audiência foi marcada para o dia 12 de junho, quando a Corte avaliará se mantém ou não o bloqueio por prazo mais longo.

O procurador-geral interino Todd Blanche havia afirmado anteriormente que “qualquer pessoa no país” poderia solicitar compensação caso acreditasse ter sido vítima de “instrumentalização política” do sistema de Justiça.

Fonte: ABC