Imprensa internacional diz que Trump "rompeu trégua" com Lula após novas medidas contra o Brasil
Financial Times afirma que tarifas e classificação de facções brasileiras como terroristas criaram "tempestade política" no país
As recentes decisões do governo Donald Trump envolvendo o Brasil ganharam destaque na imprensa internacional e foram interpretadas como um agravamento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
Em reportagem publicada nesta quarta-feira (3), o jornal britânico *Financial Times* afirmou que Trump “rompeu uma trégua” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao anunciar novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros e classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas.
Segundo o jornal, as medidas provocaram uma “tempestade política” no cenário pré-eleitoral brasileiro.
“O anúncio rompeu uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado”, escreveu o *FT* em reportagem assinada por correspondentes em Brasília e Londres.
O veículo também associou os movimentos do governo americano a uma suposta articulação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve na Casa Branca pouco antes dos anúncios oficiais.
De acordo com o jornal, Flávio busca se aproximar de lideranças conservadoras alinhadas a Trump, seguindo uma tendência observada em outros países da América Latina.
No fim de maio, os Estados Unidos anunciaram a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e criticada pelo governo Lula, que teme possíveis impactos na soberania brasileira e até justificativas para futuras intervenções externas.
Já nesta terça-feira (2), o governo americano propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas “injustas”, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix e a políticas econômicas do Brasil.
O *Financial Times* afirma que Lula reagiu politicamente às medidas e passou a acusar Flávio Bolsonaro de incentivar ações dos Estados Unidos contra o próprio Brasil. Segundo o jornal, aliados do presidente chegaram a apelidar a nova tarifa de “TariFlávio”.
A publicação também citou análise do consultor político Thomas Traumann, que avaliou que o confronto com Trump pode beneficiar Lula politicamente, assim como ocorreu com líderes de outros países que adotaram discursos nacionalistas diante de pressões americanas.
Ao mesmo tempo, o jornal destacou que Flávio Bolsonaro acabou pressionado pelas críticas após a divulgação das tarifas. O senador publicou um vídeo afirmando que teria pedido pessoalmente a Trump para não aplicar as novas taxas contra o Brasil.
Embora o *Financial Times* diga que Trump ainda não declarou apoio explícito a nenhum candidato brasileiro para 2026, o jornal afirma que vários sinais recentes foram interpretados no Brasil como gestos favoráveis ao bolsonarismo.
Na terça-feira, Trump publicou uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro e o descreveu como “um jovem inteligente que ama seu país”.
Segundo a análise citada pelo jornal britânico, o conjunto de medidas e declarações reforça a percepção de que os Estados Unidos buscam influenciar o cenário político brasileiro antes das próximas eleições presidenciais.
Fonte: G1