Foragido nos EUA, Alexandre Ramagem diz que extradição "não vai acontecer" e afirma que pretende voltar ao Brasil em 2027

Ex-diretor da Abin, condenado por tentativa de golpe de Estado, afirma aguardar decisão sobre pedido de asilo político e acusa autoridades brasileiras de tentarem deportá-lo

Por Lara Barth

Alexandre Ramagem

O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, afirmou que acredita que não será extraditado para o Brasil e que pretende retornar ao país apenas após as eleições presidenciais de 2026.

Em entrevista à CNN Brasil, concedida neste domingo (5) durante um evento em Nova Jersey, nos Estados Unidos, Ramagem declarou que está "em segurança" e que continuará nos EUA enquanto aguarda a análise de seu pedido de asilo político.

"A gente está em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos", afirmou.

Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A condenação inclui os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. O ex-parlamentar nega todas as acusações.

Segundo investigações da Polícia Federal, ele deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e a Guiana logo após a condenação, apesar de estar proibido de sair do país por determinação do STF. Em seguida, entrou nos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático e, desde então, é considerado foragido da Justiça brasileira.

Durante a entrevista, Ramagem afirmou que o pedido de asilo e o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro tramitam simultaneamente perante as autoridades americanas.

"Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, tentaram me deportar clandestinamente", declarou, sem apresentar provas para sustentar a acusação.

O ex-diretor da Abin voltou a afirmar que não houve tentativa de golpe de Estado e classificou o processo judicial como uma perseguição política.

"Inventaram essa farsa do golpe, inventaram crimes contra nós para acabar com o segmento político de direita e encarcerar Jair Messias Bolsonaro", disse.

Ramagem também comentou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo ele, Bolsonaro está "preso, sequestrado e censurado".

Ao ser questionado sobre quando pretende retornar ao Brasil, Ramagem respondeu que espera uma mudança no cenário político após as eleições de 2026.

"Com essa luta, vamos virar 2027, com Flávio Bolsonaro, e a gente volta para o Brasil", afirmou, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por Jair Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República.

Prisão nos Estados Unidos

Ramagem foi preso em 13 de abril pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida, após ser abordado durante uma infração de trânsito.

De acordo com as autoridades americanas, a prisão ocorreu porque seu visto estava vencido desde 7 de março, caracterizando permanência irregular no país.

Ele foi libertado dois dias depois, sem pagamento de fiança, e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda a decisão sobre seu pedido de asilo, fundamentado na alegação de perseguição política.

Além da condenação criminal, Ramagem também teve o mandato de deputado federal cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro, por faltas consecutivas às sessões legislativas.

Fonte: CNN