O governo de Donald Trump divulgou um vídeo de pouco mais de cinco minutos defendendo a liderança dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e apresentando a retomada da Doutrina Monroe como um dos pilares da política externa americana.
Publicado pelo Departamento de Estado na terça-feira (11), o material faz um retrospecto de mais de dois séculos da atuação dos Estados Unidos nas Américas e termina associando Trump à tradição de presidentes que defenderam a influência americana na região.
A Doutrina Monroe foi anunciada pelo presidente James Monroe em 1823 e estabelecia que os países do continente americano não deveriam ser considerados territórios disponíveis para novas colonizações por potências europeias. A política ficou posteriormente associada à ideia de limitar a interferência de países europeus no Hemisfério Ocidental.
De política defensiva a instrumento de influência
O vídeo destaca que, em seus primeiros anos, a doutrina tinha caráter principalmente defensivo. O roteiro, porém, mostra como sua interpretação mudou ao longo das décadas.
O material cita, por exemplo, o então secretário de Estado Richard Olney, que em 1895 afirmou que os Estados Unidos exerciam, na prática, uma posição de soberania no Hemisfério Ocidental.
O vídeo também relembra a atuação do presidente Theodore Roosevelt e o chamado Corolário Roosevelt, que ampliou a interpretação da Doutrina Monroe e passou a servir de justificativa para intervenções americanas em países da América Latina.
Entre os episódios citados estão a guerra Hispano-Americana, a expansão da influência dos Estados Unidos no Caribe e o apoio à independência do Panamá em relação à Colômbia, movimento que abriu caminho para a construção e operação do Canal do Panamá pelos americanos.
Outro momento destacado é a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, apresentada como um dos principais episódios de confronto entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.
Trump é apresentado como “último defensor”
Ao longo do vídeo, nomes como James Monroe, Richard Olney, Theodore Roosevelt, John F.
Kennedy e Ronald Reagan são apresentados como importantes defensores da política americana no hemisfério.
Na conclusão, Trump é descrito como o “mais recente defensor” da Doutrina Monroe.
O material também faz referência à operação americana contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, e reproduz uma declaração de Trump na qual o presidente afirma:
“Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado.”
A divulgação ocorre em linha com a Estratégia de Segurança Nacional apresentada pelo governo Trump em dezembro de 2025, que propôs o chamado “Corolário Trump” e defendeu a retomada da Doutrina Monroe como referência para a atuação dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe.
Na parte final, o Departamento de Estado afirma que a doutrina, ao longo de mais de 200 anos, deixou de ser apenas uma advertência às potências europeias e se transformou em uma estrutura de “domínio regional”, que, segundo o próprio vídeo, continua sendo um dos pilares da estratégia americana para o Hemisfério Ocidental.
Fonte: CNN

