Congresso dos EUA aumenta pressão sobre Fauci em investigação sobre a COVID-19
O Congresso dos Estados Unidos voltou a colocar no centro das atenções as investigações relacionadas à pandemia de COVID-19. Desta vez, o foco está em Anthony Fauci, médico e imunologista que durante quase quatro décadas comandou o principal instituto americano de doenças infecciosas e se tornou uma das figuras mais conhecidas da resposta dos EUA à pandemia.
Nesta quinta-feira, 6 de agosto, o Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado aprovou, por votação partidária, uma resolução para considerar Fauci em desacato ao Congresso. A iniciativa foi liderada pelo senador republicano Rand Paul.
O embate começou após Fauci ser intimado a responder perguntas relacionadas à resposta do governo à pandemia e às investigações sobre a origem do coronavírus. Durante seu depoimento, ele invocou o direito constitucional da Quinta Emenda, que protege uma pessoa de ser obrigada a fornecer respostas que possam incriminá-la, em mais de 100 ocasiões.
Após a votação, Rand Paul encaminhou ao Departamento de Justiça (DOJ) um pedido para que Fauci seja processado criminalmente por desacato ao Congresso. O DOJ confirmou à Reuters que recebeu o encaminhamento. Até o momento, porém, Fauci não foi acusado criminalmente nesse caso. Especialistas também questionam se o encaminhamento tem validade jurídica sem uma votação do plenário do Senado.
O presidente Donald Trump também se manifestou, defendendo que Fauci seja processado. Já a defesa do médico afirma que a investigação tem motivação política. Os democratas do comitê se opuseram à resolução.
O que o Congresso está investigando?
As investigações incluem a origem da COVID-19, pesquisas com coronavírus, financiamento americano de pesquisas realizadas na China e a hipótese de um acidente de laboratório em Wuhan. Parlamentares também querem saber se informações relevantes foram omitidas do Congresso ou do público durante a pandemia. Em maio, o mesmo comitê realizou uma audiência com um ex-integrante da CIA sobre como informações relativas à origem do vírus foram tratadas dentro do governo.
Outro caso já avançou para a esfera criminal. Em abril, David Morens, ex-assessor sênior do NIAID, foi formalmente indiciado por um grande júri federal. O Departamento de Justiça o acusa, entre outros crimes, de participar de um esquema para ocultar registros federais relacionados a pesquisas sobre coronavírus e evitar pedidos feitos pela Lei de Acesso à Informação. Morens é presumido inocente até eventual condenação.
Apesar das investigações, não existe até agora uma conclusão definitiva que estabeleça a origem da COVID-19, e as diferentes hipóteses continuam sendo objeto de debate científico, político e de inteligência.