Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixador no Brasil
Indicado de Trump ainda precisa receber o "agrément" do governo Lula para assumir a embaixada em Brasília, em meio à escalada da tensão diplomática entre os dois países
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação do republicano Daniel Perez para o cargo de embaixador americano no Brasil. Apesar da aprovação em Washington, Perez ainda depende da autorização formal do governo brasileiro para assumir o posto em Brasília.
A indicação foi aprovada junto com um pacote de 74 nomeações do governo do presidente Donald Trump para cargos diplomáticos e outras funções, incluindo embaixadas em países como Noruega, Austrália, Jamaica, Eslováquia, Camboja e Gâmbia.
O bloco recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários.
Perez foi sabatinado pelo Senado americano em 16 de julho e teve sua indicação aprovada pelo Comitê de Relações Exteriores oito dias depois.
Durante a sabatina, o republicano afirmou que os Estados Unidos enfrentam “desafios de segurança reais” no Brasil. Entre os pontos citados estavam a atuação de organizações criminosas transnacionais e a crescente presença de outras potências em busca de influência na região.
Perez ainda depende de autorização do Brasil
Mesmo com o aval do Senado americano, Daniel Perez não poderá assumir imediatamente a embaixada em Brasília.
Isso porque o governo brasileiro ainda não concedeu o agrément, documento por meio do qual o país receptor aceita formalmente o nome indicado por outro governo para ocupar o cargo de embaixador.
Segundo especialistas em direito internacional, depois da concessão do agrément ainda existem outras etapas diplomáticas, incluindo a comunicação da chegada do representante e a apresentação das cartas credenciais ao governo brasileiro.
O processo ganhou ainda mais importância diante da atual crise diplomática entre Brasília e Washington.
Na terça-feira (4), o governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Uma autoridade do Departamento de Estado americano classificou a medida como uma ação “recíproca” diante da demora brasileira em conceder o agrément para Perez.
Os Estados Unidos afirmaram que o visto de Viotti será restabelecido imediatamente caso o governo brasileiro conceda a autorização para o indicado de Trump.
O Palácio do Planalto, porém, afirmou que o processo de concessão do agrément é confidencial e que o nome do indicado deveria ser divulgado somente depois da anuência brasileira.
O governo também destacou que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece um prazo específico para a concessão do agrément e informou que o pedido americano continua em análise.
Quem é Daniel Perez?
Daniel Perez é atualmente presidente da Câmara de Representantes da Flórida, cargo equivalente à presidência do Legislativo estadual, e é integrante do Partido Republicano.
Nascido em Nova York, ele se mudou ainda criança com a família para a Flórida. Filho de cubanos, construiu sua carreira política no estado e foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017.
Perez estudou na Florida State University e cursou Direito na Loyola University New Orleans.
Sua trajetória política é associada a pautas como redução de impostos, menor intervenção governamental e políticas voltadas à segurança e às comunidades locais.
Como presidente da Câmara estadual, também se envolveu em debates sobre saúde, infraestrutura, moradia, seguros e educação.
Conflito com Ron DeSantis
Perez também ganhou destaque na política da Flórida por confrontos com o governador Ron DeSantis, um dos principais rivais de Trump dentro do Partido Republicano durante a disputa presidencial de 2024.
Os dois políticos já divergiram sobre temas como educação superior, exploração de petróleo em alto-mar, imigração, inteligência artificial e financiamento de estruturas do Legislativo estadual.
Em 2025, o conflito entre ambos se intensificou. Perez chegou a acusar publicamente DeSantis de adotar uma postura emocional e afirmou que ameaçar adversários para conseguir o que se quer “não é liderança, é imaturidade”.
O embate ganhou espaço na imprensa política americana e chegou a ser descrito como um dos principais desafios internos enfrentados por DeSantis dentro do próprio Partido Republicano na Flórida.
Perez chegou a ser considerado para disputar o cargo de procurador-geral da Flórida, com apoio de aliados do governo Trump, mas a candidatura não avançou.
Em 2026, o presidente da Câmara voltou a entrar em conflito com DeSantis ao bloquear projetos apoiados pelo governador, relacionados a políticas de vacinação e regulamentação da inteligência artificial.
Agora, com a aprovação pelo Senado americano, Perez aguarda a decisão do governo brasileiro para saber quando — e se — poderá assumir a representação diplomática dos Estados Unidos em Brasília.
Fonte: CNN