EUA destroem suposto barco de tráfico de drogas no Pacífico e matam duas pessoas
Operação ocorreu no leste do Pacífico; governo americano afirma que embarcação seguia uma rota conhecida de narcotráfico
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram um ataque contra uma embarcação suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas no oceano Pacífico, matando duas pessoas, segundo o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).
O ataque aconteceu no domingo (23), em uma área do Pacífico Oriental. Segundo o comando militar, a embarcação navegava por rotas conhecidas de narcotráfico e informações de inteligência teriam confirmado sua participação ativa no transporte de drogas.
Imagens em preto e branco divulgadas pelas autoridades mostram uma embarcação navegando antes de uma grande explosão. O modelo não foi oficialmente identificado, mas aparenta ser uma espécie de submersível usado por traficantes, conhecido como “narco-sub”.
Essas embarcações não conseguem mergulhar completamente, mas são utilizadas por organizações criminosas porque podem dificultar a detecção pelas autoridades.
Mais de 200 pessoas morreram em operações
A ação faz parte da operação Southern Spear, iniciada pelos Estados Unidos em setembro do ano passado. O governo do presidente Donald Trump afirma que está combatendo diretamente os cartéis de drogas que atuam na América Latina.
Desde o início da operação, mais de 200 pessoas morreram em ataques realizados no Pacífico Oriental e no mar do Caribe.
O governo americano, porém, ainda não apresentou provas definitivas de que todas as embarcações atingidas estavam envolvidas com o tráfico de drogas.
As operações também vêm sendo questionadas por parlamentares e especialistas, que levantam dúvidas sobre a legalidade e a eficácia dos ataques.
Parte das críticas destaca que o fentanil responsável por grande parte das mortes por overdose nos Estados Unidos costuma entrar no país por rotas terrestres a partir do México, e não por embarcações no Pacífico ou no Caribe.
Ataques estão sob análise
Parlamentares americanos já pediram ao Pentágono a divulgação de imagens sem edição de um dos primeiros ataques realizados pela operação. O episódio gerou controvérsia após relatos de que militares teriam realizado um segundo ataque contra sobreviventes do primeiro.
Alguns congressistas questionaram se essa segunda ação poderia configurar crime de guerra. O Departamento de Defesa e parlamentares republicanos argumentaram que os sobreviventes ainda poderiam representar uma ameaça.
O inspetor-geral do Pentágono informou em maio que avaliaria se os militares seguiram os procedimentos estabelecidos para seleção e execução dos alvos. A análise, entretanto, não avaliará diretamente a legalidade dos ataques.
Em junho, uma operação semelhante no Caribe contra uma embarcação suspeita de tráfico deixou duas pessoas mortas e seis sobreviventes.
Fonte: CBS