O governo de Donald Trump elaborou uma proposta que poderia permitir que alguns pais que ficam em casa para cuidar dos filhos recebam pagamentos do governo federal. A medida utilizaria recursos de um programa criado originalmente para ajudar famílias de baixa renda e trabalhadores a pagar por serviços de cuidado infantil.
Segundo uma autoridade da Casa Branca ouvida pela NewsNation, a proposta, chamada Stay-at-Home Parent Child Care Subsidy Proposal, surgiu dentro da própria Casa Branca. Relatos anteriores haviam atribuído a iniciativa ao escritório do vice-presidente JD Vance.
De acordo com o New York Times, o plano poderia criar o que seria o primeiro programa federal de subsídios destinado diretamente a compensar pais que optam por permanecer em casa para cuidar dos filhos.
A proposta, porém, seria limitada a casais casados.
Como funcionaria
Os recursos viriam do Child Care and Development Fund (CCDF), programa criado durante o governo de Bill Clinton para ajudar famílias de baixa renda e trabalhadores a pagar por serviços de cuidado infantil.
Atualmente, o programa disponibiliza cerca de US$ 9 mil por criança por ano, com o dinheiro geralmente sendo destinado diretamente aos prestadores de serviços de cuidado infantil.
Pela proposta da administração Trump, pais que permanecem em casa poderiam receber os recursos diretamente do governo.
Quem poderia receber?
Para se qualificar, as famílias precisariam cumprir uma série de requisitos:
Serem casadas;
Ter um dos cônjuges trabalhando pelo menos 35 horas por semana;
Ter o outro cônjuge permanecendo em casa para cuidar dos filhos;
Atender aos critérios de renda, que variam de acordo com o estado.
Casais que não são casados e tenham um dos pais em casa não seriam elegíveis. Pais ou mães solteiros que não estejam empregados também ficariam de fora.
Críticos temem disputa por recursos limitados
A proposta já enfrenta críticas de grupos que defendem políticas de assistência infantil. Amy Matsui, vice-presidente de políticas de cuidado infantil e segurança de renda do National Women's Law Center, afirmou que ampliar o número de pessoas elegíveis sem aumentar o financiamento poderia aumentar a concorrência pelos recursos disponíveis.
Segundo Matsui, mesmo que o financiamento do CCDF fosse dobrado, ainda não seria suficiente para atender todas as famílias que precisam de assistência. Ela afirmou que, no fim de 2025, mais de 400 mil crianças estavam na fila por auxílio para serviços de cuidado infantil.
Defensores dizem que pais que ficam em casa também deveriam receber apoio
Os defensores da proposta argumentam que pais que optam por permanecer em casa deveriam receber um benefício semelhante ao destinado às famílias que utilizam serviços subsidiados de cuidado infantil.
Roger Severino, vice-presidente da Heritage Foundation, afirmou que atualmente famílias que colocam os filhos em creches recebem subsídios, enquanto pais que assumem diretamente os custos e deixam de trabalhar para cuidar das crianças em casa não recebem o mesmo tipo de apoio.
Severino também defendeu que o benefício seja direcionado a famílias com dois pais casados, argumentando que o casamento deveria receber tratamento diferenciado nas políticas públicas por, segundo ele, estar associado a melhores resultados para as crianças.
A Casa Branca poderia solicitar ao Congresso recursos adicionais para financiar o programa, mas autoridades ainda não informaram se isso realmente acontecerá.
Dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos indicam que quase 80% das famílias que recebem subsídios para cuidados infantis são chefiadas por um único responsável que trabalha, geralmente uma mãe que também é a principal cuidadora dos filhos.
Fonte: Fox

