O governo de Donald Trump apresentou ao Brasil, durante as negociações sobre o tarifaço em 2025, uma exigência para que o país garantisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026. A informação foi confirmada por integrantes do Itamaraty e revelada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O pedido fazia parte de uma minuta com 21 pontos apresentada por representantes dos Estados Unidos em outubro de 2025. O documento previa que o Brasil realizasse eleições “livres e justas” e não detivesse, prendesse ou restringisse arbitrariamente a participação dos chamados “dissidentes políticos”.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, o documento não especificava quem seriam esses “dissidentes”. Integrantes do governo brasileiro, porém, relacionaram o trecho ao contexto envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora essa referência não aparecesse de forma explícita no texto da exigência.
O Itamaraty rejeitou a proposta, e os pontos relacionados às eleições não chegaram a integrar as negociações formais entre os dois governos. Segundo relatos, a minuta foi tratada como uma proposta preliminar e não chegou a ser transformada em acordo.
A maior parte dos 21 pontos apresentados pelos Estados Unidos tratava de questões comerciais, mas o documento também incluía demandas sobre liberdade de expressão, redes sociais, minerais críticos e compras de aeronaves da Boeing.
Na época, Trump também criticou publicamente o tratamento dado a Bolsonaro pela Justiça brasileira. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o republicano classificou o processo contra o ex-presidente como uma “caça às bruxas” e afirmou que a situação era uma “vergonha internacional”.
Até a publicação das reportagens desta quinta-feira (17), o governo dos Estados Unidos não havia apresentado uma manifestação pública específica sobre o conteúdo da minuta.
Fonte: G1/Folha de S. Paulo

