Promotor federal é demitido após investigar agente do ICE por possíveis crimes de direitos civis
Matthew Evans investigava o agente Christian Castro por causa do disparo que atingiu um imigrante venezuelano em Minnesota, segundo fontes
Um promotor federal de Minnesota que investigava um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) por possíveis crimes relacionados a direitos civis foi demitido, segundo quatro fontes familiarizadas com o caso ouvidas pela CBS News.
O promotor assistente Matthew Evans investigava o agente do ICE Christian Castro por causa do disparo que atingiu o imigrante venezuelano Julio Cesar Sosa-Celis no início deste ano.
O Departamento de Justiça acabou acusando Castro, nesta semana, de prestar declarações falsas sobre o incidente. A acusação, porém, permanece sob sigilo, segundo informações já divulgadas pela CBS News.
No início desta semana, a ProPublica informou que Evans havia orientado os advogados de Sosa-Celis e de outras vítimas a se prepararem para que Castro fosse acusado apenas de prestar declarações falsas. A infração prevê penas menores do que uma eventual acusação de violação de direitos constitucionais no exercício de sua função.
A ProPublica publicou trechos de um e-mail que, segundo o veículo, havia sido enviado por Evans aos advogados.
"Isso está sendo determinado pelo Departamento de Justiça e pelo procurador dos EUA. Eu me opus nos termos mais fortes possíveis e lutei contra isso com todas as minhas forças. Não foi suficiente", teria escrito Evans. A CBS News informou que não teve acesso ao e-mail analisado pela ProPublica.
Três fontes disseram à CBS News que Evans está sendo investigado pelo próprio Departamento de Justiça. Duas delas afirmaram que a investigação está relacionada a suspeitas de vazamento de informações.
A CBS News procurou Evans para comentar o caso.
Agente do ICE é acusado em seis acusações
Um grande júri federal apresentou, na quarta-feira, uma acusação com seis crimes contra Castro, segundo várias fontes familiarizadas com o caso. O agente foi detido no Texas na quinta-feira e deverá comparecer pela primeira vez a um tribunal federal nesta sexta-feira, de acordo com uma das fontes.
O caso está relacionado a um episódio ocorrido em janeiro envolvendo Castro e Sosa-Celis durante a ofensiva do governo de Donald Trump contra a imigração na região de Minneapolis. Segundo autoridades americanas, Sosa-Celis estava ilegalmente nos Estados Unidos.
Depois que Sosa-Celis foi baleado na perna, promotores federais o acusaram, junto com Alfredo Alejandro Aljorna, de agredir, resistir ou impedir à força a atuação de agentes federais.
A versão apresentada pelo governo sobre o que aconteceu antes do disparo, porém, mudou ao longo da investigação. Posteriormente, o próprio ICE acusou agentes de terem mentido sobre o episódio.
Inicialmente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) afirmou que Sosa-Celis havia fugido a pé de uma abordagem de trânsito. Segundo a pasta, quando um agente do ICE tentou prendê-lo, outros dois homens atacaram o agente com uma pá e um cabo de vassoura.
Ainda de acordo com o DHS, Sosa-Celis conseguiu se soltar e também começou a atacar o agente, que então efetuou um "disparo defensivo para proteger sua vida".
Uma declaração apresentada pelo FBI no processo criminal contra Sosa-Celis e Aljorna apresentou, porém, uma versão diferente. Segundo o documento, quem fugiu da abordagem de trânsito foi Aljorna, e Sosa-Celis teria inicialmente atingido o agente do ICE com um cabo de vassoura enquanto ele tentava prender Aljorna.
O agente descreveu o confronto como uma luta que durou três minutos, segundo a declaração.
Um vídeo gravado por celular e divulgado por um senador estadual democrata também mostrou uma mulher dizendo ao serviço de emergência 911 que seu marido havia sido perseguido por agentes do ICE até chegar em casa e que havia sido baleado diante da família.
Posteriormente, um vídeo divulgado pelo New York Times mostrou que o confronto envolvendo Aljorna e Sosa-Celis durou muito menos do que três minutos.
Governo abandonou processo contra os imigrantes
Um mês depois de Sosa-Celis e Aljorna serem acusados, o Departamento de Justiça retirou as acusações contra os dois. A pasta afirmou que "novas evidências descobertas" eram "materialmente inconsistentes" com as alegações apresentadas inicialmente.
Todd Lyons, que comandava o ICE na época, afirmou que uma análise das imagens mostrou que dois agentes da agência haviam feito "declarações falsas" em depoimentos prestados sob juramento.
Segundo Lyons, os dois agentes seriam colocados em licença administrativa e poderiam ser processados criminalmente.
Castro, agente do ICE que atirou em Sosa-Celis, também foi acusado em maio pela Justiça estadual do Texas por agressão e por registrar falsamente um crime. Ele foi preso no estado.
O governador do Texas, Greg Abbott, porém, se recusou a extraditá-lo para Minnesota, dando início a uma disputa judicial. O conflito terminou na semana passada, quando uma prisão do Texas libertou Castro.
Fonte: CBS