Trump promete US$ 5 mil a cada adulto nos EUA se republicanos vencerem eleições

Chamado de "Trump Dividend", pagamento poderia custar mais de US$ 1 trilhão e dependeria de aprovação do Congresso

Por Lara Barth

Presidente Trump completa 365 dias de seu segundo mandato

O presidente Donald Trump prometeu nesta quarta-feira pagar US$ 5 mil a cada adulto nos Estados Unidos caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato. A proposta, porém, exigiria aprovação do Congresso e poderia aumentar ainda mais o déficit e a dívida do país.

Durante a convenção republicana para as eleições de meio de mandato, em Dallas, Trump apresentou o pagamento como um “dividendo” para os americanos.

“Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e recebem US$ 5 mil”, afirmou. Ele chamou a proposta de “Trump Dividend” e comparou os pagamentos à distribuição de lucros feita por empresas aos acionistas.

O valor total do programa provavelmente ultrapassaria US$ 1 trilhão, considerando a quantidade de adultos no país. A medida também poderia aumentar as preocupações relacionadas à inflação e ao déficit anual do governo americano, que se aproxima de US$ 1,8 trilhão.

Vance tenta esclarecer proposta

Cerca de uma hora depois do anúncio, o vice-presidente JD Vance pareceu tentar limitar a promessa. Ele sugeriu que o pagamento não seria destinado aos americanos mais ricos e afirmou que o programa poderia ser financiado com a arrecadação de tarifas sobre produtos importados.

O problema é que a quantia prometida por Trump supera em muito a receita obtida pelo governo com as tarifas.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a pedidos de esclarecimento sobre como o programa seria financiado ou implementado.

Especialistas também ressaltam que Trump não poderia simplesmente ordenar o pagamento. Segundo Marc Goldwein, diretor de políticas do Committee for a Responsible Federal Budget, o presidente precisa da aprovação do Congresso para enviar esse tipo de recurso aos americanos.

Goldwein também criticou a comparação feita por Trump com dividendos empresariais. Empresas distribuem dividendos quando possuem excedentes, enquanto o governo americano registra déficits anuais próximos de US$ 2 trilhões e acumula uma dívida superior a US$ 40 trilhões.

“A ideia de que tivemos sucesso fiscal é invertida e quase risível. Não temos excedentes para distribuir”, afirmou.

Trump já havia prometido pagamentos

Não é a primeira vez que Trump fala em devolver dinheiro aos americanos.

Depois de retornar à Casa Branca, o presidente afirmou que 20% das economias obtidas pelo chamado Department of Government Efficiency, liderado pelo bilionário Elon Musk, seriam devolvidas à população. Os pagamentos, no entanto, nunca foram realizados.

No início deste ano, Trump também propôs um pagamento de US$ 2 mil financiado por receitas de tarifas e afirmou que não acreditava precisar da aprovação do Congresso.

No ano passado, o presidente anunciou um pagamento de US$ 1.776 para integrantes das Forças Armadas, que chamou de “warrior dividend”.

Após o novo anúncio, o senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, afirmou que prepararia um projeto de lei para aprovar o “Trump Dividend” imediatamente depois das eleições de 3 de novembro.

Um pagamento de US$ 5 mil seria superior aos valores recebidos individualmente por muitos americanos durante os programas de auxílio direto criados durante a pandemia de Covid-19 no primeiro mandato de Trump.

Promessa seria legal?

Apesar de levantar questões sobre financiamento e autorização do Congresso, a promessa não seria considerada ilegal por si só, segundo o advogado John Day, do Novo México.

Isso porque o dinheiro seria destinado aos adultos independentemente de terem votado em Trump, nos republicanos ou de terem participado da eleição.

“É uma promessa de campanha. Não é um pagamento a indivíduos para tentar fazê-los votar de uma determinada maneira”, afirmou Day.

A promessa acontece em um momento de dificuldades eleitorais para os republicanos. O partido tenta manter sua estreita maioria na Câmara dos Representantes, enquanto enfrenta um cenário político desfavorável.

Trump mantém índices de aprovação baixos, e a guerra no Irã também enfrenta forte oposição entre os americanos. Até mesmo o controle republicano do Senado, que anteriormente parecia mais seguro, está em disputa nas eleições de meio de mandato.

Fonte: NBC