Trump anuncia acordo para ampliar presença militar dos EUA na Groenlândia
Acordo com Dinamarca e Groenlândia prevê acesso permanente dos EUA ao território e direitos de sobrevoo, mas não transfere o controle da ilha para Washington.
O presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (18) um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia que, segundo o governo americano, dará aos Estados Unidos acesso permanente ao território e ampliará sua capacidade militar na estratégica ilha do Ártico.
Os detalhes do acordo ainda são limitados, mas as informações divulgadas até agora indicam que ele não representa uma tomada de controle ou transferência de soberania sobre a Groenlândia. A ilha continua sendo um território autônomo do Reino da Dinamarca.
Segundo um funcionário do Departamento de Estado americano ouvido pela CBS News, o acordo garante aos EUA acesso permanente à Groenlândia e direitos de sobrevoo, o que poderá permitir a ampliação do número de instalações militares americanas. O pacto também impediria países que não fazem parte da Otan de estabelecer bases militares na ilha e restringiria determinados investimentos considerados sensíveis por adversários dos Estados Unidos.
Trump afirmou que pretende iniciar imediatamente o processo para ampliar a presença militar americana na Groenlândia. Os EUA já mantêm uma instalação militar no território desde a década de 1950. Atualmente, a Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha, desempenha funções relacionadas a alerta de mísseis, defesa antimísseis e vigilância espacial para os Estados Unidos e a Otan.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou o acordo como uma importante conquista e afirmou que a Groenlândia permanecerá dentro da área estratégica de defesa da América do Norte.
Acordo ainda precisa ser formalizado
Os governos da Dinamarca e da Groenlândia confirmaram que chegaram a um entendimento com os Estados Unidos. A expectativa é que o acordo seja assinado em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU, mas ainda são necessárias etapas parlamentares na Dinamarca e na Groenlândia.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que o acordo pode fortalecer a segurança no Ártico e no Atlântico Norte e destacou que ele reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, além do direito dos groenlandeses à autodeterminação.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também avaliou positivamente o entendimento e afirmou que ele reconhece os interesses da ilha e seu papel na cooperação internacional.
Pressão de Trump pela Groenlândia
Trump defende há anos uma maior presença americana na Groenlândia, citando a localização estratégica do território entre a América do Norte, a Europa e o Ártico. Durante seu segundo mandato, chegou a defender a compra da ilha pela qual a Dinamarca exerce soberania, proposta rejeitada por autoridades dinamarquesas e groenlandesas.
No início deste ano, o presidente também chegou a ameaçar impor tarifas à Dinamarca e a outros países que não apoiassem seus esforços para adquirir a Groenlândia. Posteriormente, abandonou a ameaça tarifária e afirmou ter estabelecido com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, uma estrutura para um futuro acordo envolvendo a ilha.
O novo entendimento representa uma ampliação da cooperação militar entre Washington, Copenhague e Nuuk, mas, até o momento, as informações divulgadas não indicam qualquer mudança na soberania da Groenlândia.
Fonte: CBS