EUA planejam receber até 17,5 mil sul-africanos brancos como refugiados
Plano para o ano fiscal de 2027 prevê que a maioria das vagas seja destinada a africânderes, grupo que o governo Trump afirma sofrer perseguição racial na África do Sul
O governo dos Estados Unidos planeja receber até 17.500 sul-africanos brancos, principalmente africânderes, como refugiados nos próximos 12 meses, segundo um comunicado enviado pelo Departamento de Estado ao Congresso e obtido pela CBS News.
As vagas fazem parte da cota de reassentamento de refugiados para o ano fiscal de 2027, que começa em outubro. O documento informa que os africânderes devem receber a maior parte dessas vagas.
A medida mantém uma exceção criada pelo governo Donald Trump para esse grupo, enquanto o programa americano de reassentamento de refugiados foi amplamente reduzido para pessoas que fogem de perseguições e conflitos em outras partes do mundo.
Governo Trump fala em perseguição racial
Autoridades do governo americano afirmam que africânderes, descendentes principalmente de colonizadores europeus, enfrentam discriminação e violência na África do Sul.
No documento enviado ao Congresso, o Departamento de Estado afirma que o grupo enfrenta ameaças relacionadas à desapropriação de propriedades agrícolas, políticas governamentais nas áreas de emprego, educação e negócios e discursos considerados hostis contra minorias raciais.
O governo sul-africano, porém, nega de forma consistente que esteja perseguindo africânderes por serem brancos. As alegações de que existe um “genocídio” contra a população branca também são contestadas.
Reportagens anteriores, incluindo uma do programa 60 Minutes, ouviram africânderes que rejeitaram a ideia de que brancos estejam sendo vítimas de genocídio e apontaram que os assassinatos em propriedades rurais fazem parte de um problema mais amplo de criminalidade que atinge pessoas de diferentes grupos raciais.
Programa pode custar US$ 500 milhões
De acordo com o documento enviado ao Congresso, o programa de reassentamento de africânderes deve custar aproximadamente US$ 500 milhões ao governo americano.
Na última semana, os Estados Unidos também impuseram novas sanções a autoridades sul-africanas que, segundo o governo americano, seriam responsáveis por discriminar africânderes.
O presidente Trump já afirmou publicamente que africânderes estariam sofrendo um “genocídio” na África do Sul. Em uma reunião no Salão Oval com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa no ano passado, Trump apresentou um vídeo relacionado a assassinatos de agricultores para sustentar suas alegações.
As afirmações permanecem objeto de forte contestação, especialmente quanto à caracterização desses crimes como uma campanha de extermínio racial.
Fonte: CBS