Senadores dos EUA pedem que governo Trump não interfira nas eleições do Brasil
Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch questionam Marco Rubio sobre a atuação dos EUA e pedem compromisso de reconhecimento do resultado das urnas
Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo esclarecimentos sobre a atuação do governo Donald Trump em relação às eleições presidenciais brasileiras de 2026. O documento também questiona se os EUA se comprometerão a reconhecer o resultado oficial do pleito, marcado para 4 de outubro.
Assinada por Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, a carta afirma que existe preocupação entre parlamentares americanos com o uso de pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil antes da eleição. Os senadores pedem que o Departamento de Estado explique como coordena suas políticas de democracia e direitos humanos com países parceiros e se pretende reconhecer o candidato que for escolhido pelo eleitorado brasileiro.
O documento também retoma críticas apresentadas na semana anterior por um grupo de 31 parlamentares americanos. Entre os episódios citados estão as tarifas e sanções impostas pelo governo Trump ao Brasil, além da nomeação de Darren Beattie para atuar em assuntos relacionados ao país. Os senadores também mencionam o encontro entre Trump e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro no Salão Oval. Essas interpretações são apresentadas pelos parlamentares como sinais de possível interferência no processo eleitoral.
Na carta, Shaheen, Kaine e Welch também fazem referência à atuação americana após as eleições brasileiras de 2022, quando os Estados Unidos reconheceram rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Para os senadores, a postura atual representa uma mudança em relação à abordagem adotada naquele período.
A discussão ocorre em meio a uma preocupação mais ampla no Brasil sobre eventual influência estrangeira na eleição. Segundo a Reuters, autoridades brasileiras já compartilharam com representantes da França e da Alemanha informações sobre alegações de interferência eleitoral dos Estados Unidos e da Rússia. Os governos americano e russo já rejeitaram anteriormente acusações de interferência.
A carta dos três senadores não representa uma posição oficial de todo o Senado americano nem uma decisão do governo dos Estados Unidos. Até o momento, o documento é uma cobrança feita por parlamentares democratas ao Departamento de Estado.
Os senadores encerram o texto questionando diretamente se a administração Trump reconhecerá o resultado certificado das eleições brasileiras de 2026 e manterá relações diplomáticas normais com qualquer candidato escolhido de forma livre e justa pelos eleitores.
Fonte: CBN