Os Estados Unidos devem concluir nesta quarta-feira (30) a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando uma presença militar de 12 anos retomada durante a guerra contra o Estado Islâmico (ISIS).
Segundo o Pentágono, a saída será realizada de forma organizada e representa o fim da missão militar da coalizão internacional contra o grupo no país. O porta-voz-chefe do Departamento de Defesa, Sean Parnell, afirmou que a campanha conseguiu eliminar o ISIS como uma ameaça militar organizada no Iraque e na região.
Durante anos, os Estados Unidos mantiveram cerca de 2.500 militares no Iraque. A retirada foi negociada com o governo iraquiano pela administração Joe Biden, em 2024, com previsão de conclusão em 30 de setembro. O governo Donald Trump manteve o cronograma.
A saída marca a segunda vez que os EUA retiram completamente suas forças do Iraque. A primeira ocorreu em 2011, após oito anos de presença militar iniciada com a invasão americana de 2003.
Retorno dos EUA
Os militares americanos voltaram ao Iraque em 2014, depois que o Estado Islâmico conquistou grandes áreas da Síria e do norte iraquiano e passou a ameaçar a região de Bagdá.
O grupo foi derrotado militarmente no Iraque em 2019, mas os Estados Unidos mantiveram tropas no país para apoiar as forças locais e evitar uma possível reorganização do ISIS.
Com a retirada, a segurança do território passa a depender ainda mais das forças iraquianas. O primeiro-ministro iraquiano, Ali Al-Zaidi, participou de uma cerimônia que marcou o encerramento da missão internacional contra o Estado Islâmico e afirmou que as forças de segurança do país agora exercem controle sobre o cenário operacional e de segurança.
Contexto regional
A retirada ocorre em um cenário diferente daquele em que o acordo foi firmado. A guerra entre Estados Unidos e Irã alterou o equilíbrio regional e levantou questionamentos sobre a influência de Teerã no Iraque.
Irã e Iraque compartilham vínculos culturais e religiosos, e o governo iraniano já forneceu apoio militar a milícias xiitas que atuam no território iraquiano. Também permanecem dúvidas sobre a possibilidade de uma retomada das atividades do Estado Islâmico.
Ao longo deste ano, os EUA concentraram suas posições restantes no norte do Iraque e reduziram gradualmente o efetivo em Erbil.
No início do ano, Washington também retirou suas tropas do leste da Síria, em uma decisão que ocorreu após o novo governo sírio pressionar contra a presença americana e seus parceiros curdos no país.
Com a retirada prevista para esta quarta-feira, os Estados Unidos encerram novamente uma presença militar no Iraque que, somadas as diferentes fases, se estendeu por mais de duas décadas. Cerca de 4.500 militares americanos morreramdurante as operações no país, a maioria entre 2003 e 2011.
Fonte: ABC

