O governo do presidente Donald Trump afirmou que os brasileiros têm direito a um processo eleitoral livre e justo, mas não respondeu se os Estados Unidos reconhecerão o resultado das eleições no Brasil. A posição foi apresentada pelo Departamento de Estado em resposta a uma carta enviada por cerca de 30 parlamentares democratas e pelo senador independente Bernie Sanders.
A resposta, divulgada na quinta-feira (15), foi assinada por Katherine Bowles, subsecretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, e não diretamente pelo secretário Marco Rubio, destinatário do documento original.
“Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”, afirma o texto. O documento acrescenta que Washington continuará dialogando com a população brasileira, o setor privado e o governo eleito para promover segurança, comércio, investimentos e prosperidade nos dois países.
O Departamento de Estado também declarou manter conversas com governos e setores da sociedade de todo o Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência do Judiciário e integridade eleitoral.
A carta dos congressistas havia sido enviada em 24 de setembro e incluía questionamentos sobre a posição americana diante do processo eleitoral brasileiro. O principal deles pedia uma resposta clara sobre o eventual reconhecimento do resultado pela administração Trump.
Resposta aborda sanções contra Alexandre de Moraes
O documento também tratou das sanções impostas anteriormente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.
Segundo a resposta do governo americano, a medida foi fundamentada em alegações de violações de direitos humanos. O texto acusa Moraes de abusar de sua posição ao autorizar prisões preventivas consideradas injustas e restringir a liberdade de expressão, incluindo o bloqueio de contas de pessoas que publicaram manifestações protegidas.
Moraes e sua esposa, no entanto, foram retirados da lista de sanções em dezembro do ano passado, após uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Governo cita facções criminosas brasileiras
A resposta também abordou a decisão americana de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O Departamento de Estado justificou a medida afirmando que os grupos são violentos e que suas redes criminosas representam uma ameaça à segurança dos Estados Unidos e da região.
Além da primeira carta, senadores democratas enviaram outro documento ao governo americano, com questionamentos semelhantes sobre o reconhecimento do resultado eleitoral e as pressões de Washington sobre a disputa brasileira.
Trump prevê segundo turno acirrado
Em declarações anteriores, feitas em frente à Casa Branca na segunda-feira (5), Trump afirmou que o segundo turno das eleições brasileiras seria “acirrado”. Ao ser questionado sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro, o presidente americano classificou o resultado como uma grande vitória e disse estar surpreso, sem detalhar seu posicionamento sobre a disputa.
Na sexta-feira (2), antes do pleito, Trump havia afirmado que acompanharia de perto a eleição brasileira, mas evitou declarar apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O secretário de Estado, Marco Rubio, também comentou a disputa e afirmou que já se esperava que o confronto entre Flávio Bolsonaro e Lula chegasse ao segundo turno.
Trump ainda elogiou a rapidez da apuração brasileira e usou o processo como contraponto à contagem de votos em cidades governadas por democratas nos Estados Unidos.
As declarações ocorrem em meio à disputa política americana antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, quando os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.
Fonte: CBN

