O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira acusações criminais contra 28 pessoas na Califórnia por supostos crimes eleitorais, incluindo votação ilegal por não cidadãos e declarações falsas de cidadania americana para votar ou se registrar como eleitores.
Segundo o órgão, alguns dos acusados são residentes permanentes legais, com green card. As investigações fazem parte da chamada Operação Protect the Vote. De acordo com autoridades federais, muitos dos investigados também teriam votado em eleições anteriores.
Os 28 nomes estão entre cerca de 20 mil pessoas identificadas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) e encaminhadas às autoridades da Califórnia na semana passada. O governo federal suspeita que essas pessoas não sejam cidadãs americanas, mas tenham recebido cédulas para votar por correio nas eleições legislativas de novembro.
O Departamento de Justiça afirma que a lista foi elaborada por meio do cruzamento dos registros eleitorais estaduais com bancos de dados governamentais e outras informações públicas. Segundo o vice-procurador-geral interino Trent McCotter, os responsáveis também verificaram registros de passaportes, Previdência Social e imigração, além de possíveis casos de cidadania adquirida por meio dos pais ou naturalização.
Califórnia contesta procedimento federal
Autoridades da Califórnia consideraram a solicitação federal sem fundamento jurídico e criticaram o que classificam como uma tentativa de interferência no processo eleitoral estadual.
O cartório eleitoral do condado de Los Angeles se recusou a acessar os dados enviados pelo governo federal em um dispositivo USB. Segundo o secretário do condado, Dean Logan, o material não atendia aos protocolos de segurança da informação e proteção de dados. Ele também afirmou que a carta do Departamento de Justiça não especificava quantas pessoas estavam envolvidas nem detalhava as informações contidas nos arquivos.
Na semana passada, o Departamento de Justiça processou a Califórnia, alegando que o estado não havia analisado a lista nem tomado providências.
McCotter também afirmou que o governo não descarta investigar funcionários eleitorais que tenham processado registros de pessoas suspeitas de não serem cidadãs. Segundo ele, a legislação federal prevê responsabilização por ajudar conscientemente outra pessoa a cometer um crime.
Governo amplia investigações pelo país
O primeiro assistente do procurador dos Estados Unidos, Bill Essayli, afirmou que, nas sete semanas anteriores ao anúncio, o Departamento de Justiça havia acusado 113 pessoas em 20 estados por suposta votação ou registro eleitoral ilegal. Segundo ele, milhares de casos semelhantes estão sendo investigados.
Em um episódio anterior, o governo federal enviou às autoridades de Nevada uma lista com 185 pessoas suspeitas de não serem cidadãs americanas. Após análise, autoridades estaduais concluíram que todas as pessoas incluídas eram cidadãs legalmente habilitadas.
Embora o presidente Donald Trump e lideranças republicanas apresentem a votação de não cidadãos como uma ameaça à integridade eleitoral, especialistas afirmam que esse tipo de irregularidade é extremamente raro nos Estados Unidos.
Na última eleição presidencial americana, mais de 150 milhões de pessoas votaram em todo o país, incluindo mais de 16 milhões na Califórnia.
Fonte: ABC

