Um juiz federal da Califórnia rejeitou, na quarta-feira (28), o pedido emergencial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que o estado separasse cerca de 20 mil cédulas eleitorais de pessoas que o governo de Donald Trump considera “provavelmente” não cidadãs americanas.
Na decisão, o juiz David Carter afirmou que a iniciativa poderia comprometer o processo eleitoral, intimidar eleitores e funcionários responsáveis pela votação e desconsiderar votos de cidadãos dos Estados Unidos. Segundo o magistrado, a medida também contrariaria princípios constitucionais que garantem aos estados o controle sobre a administração de suas eleições.
“Mais de 20 mil eleitores registrados na Califórnia poderiam perder um direito que gerações de americanos lutaram para preservar”, escreveu Carter.
No início deste mês, o Departamento de Justiça entrou com uma ação contra a Califórnia, acusando o estado de não verificar uma lista de pessoas que, segundo o governo federal, seriam não cidadãs e teriam recebido cédulas para votar pelo correio nas eleições legislativas de novembro.
Durante uma audiência, Bill Essayli, representante do Departamento de Justiça na região central da Califórnia indicado pelo governo Trump, argumentou que a administração buscava apenas garantir o cumprimento da legislação federal, que proíbe não cidadãos de votar em eleições federais.
Autoridades estaduais e representantes jurídicos que se opõem à ação afirmaram, porém, que a iniciativa ameaça a autonomia dos estados na condução das eleições e poderia causar problemas na apuração dos votos.
Documentos apresentados por autoridades de Los Angeles indicaram que uma análise preliminar de 200 nomes da lista encontrou uma proporção significativa de pessoas que afirmam ter nascido nos Estados Unidos. Muitos outros nomes não apresentavam histórico de votação.
A decisão do juiz ocorreu após um tribunal federal de apelações também rejeitar, por dois votos a um, um pedido do Departamento de Justiça para obrigar imediatamente a Califórnia a separar as cerca de 20 mil cédulas.
A disputa acontece às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, em meio à ofensiva do governo Trump contra possíveis casos de votação por não cidadãos.
Fonte: NBC

