Autoridades eleitorais do estado de Washington afirmam que uma lista de mais de 400 pessoas apontadas pelo governo federal como possíveis não cidadãs registradas para votar contém informações incorretas e inclui cidadãos americanos. A avaliação foi apresentada na quarta-feira (28) pelo secretário de Estado de Washington, Steve Hobbs, em resposta a uma solicitação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Dois procuradores federais haviam enviado uma carta a Hobbs pedindo que as cédulas recebidas dessas pessoas fossem separadas e não contabilizadas até que a cidadania de cada eleitor fosse verificada.
A solicitação foi feita pouco mais de uma semana antes das eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Em Washington, a votação pelo correio já estava em andamento desde meados de outubro e mais de 1,3 milhão de cédulas haviam sido devolvidas até quarta-feira.
Segundo Hobbs, uma análise preliminar identificou que muitas pessoas da lista são cidadãs americanas. O documento também contém registros de indivíduos que não estão atualmente inscritos para votar no estado ou cujos cadastros estão inativos.
O secretário afirmou que impedir a contagem de votos sem comprovação individual de inelegibilidade seria irresponsável e ilegal. Ele também alertou que a medida poderia privar cidadãos de um direito constitucional.
Estado questiona confiabilidade da lista
Hobbs criticou a metodologia utilizada pelo governo federal para identificar os supostos eleitores não cidadãos. Segundo ele, o Departamento de Justiça não explicou quais fontes foram consultadas nem como as informações foram coletadas.
O levantamento foi enviado em formato PDF, com uma planilha impressa, sem dados públicos importantes para a conferência dos registros, como números de identificação eleitoral e endereços. O documento também apresentava nomes duplicados, o que, na avaliação do secretário, indica que foi elaborado às pressas.
Na carta enviada anteriormente, os procuradores Neil Floyd e Pete Serrano afirmaram que muitos dos mais de 400 nomes seriam portadores de green cards. Embora tenham autorização para morar legalmente nos Estados Unidos, esses residentes permanentes não possuem cidadania americana e não podem votar em eleições federais.
Os procuradores deram prazo de 48 horas para que o estado verificasse a situação dos nomes e orientasse os funcionários eleitorais a não contabilizar as cédulas correspondentes até a confirmação da cidadania. Eles ameaçaram recorrer à Justiça caso o procedimento não fosse implementado.
Até a tarde de quinta-feira, não havia indicação de que uma ação judicial tivesse sido apresentada contra Washington.
Disputa também envolve a Califórnia
O caso é o segundo episódio recente em que o Departamento de Justiça tenta separar cédulas de eleitores apontados pelo governo Trump como não cidadãos, às vésperas das eleições legislativas.
Na Califórnia, o governo federal pediu que aproximadamente 20 mil cédulas fossem retiradas da apuração até a verificação da situação migratória dos eleitores. O Departamento de Justiça chegou a processar autoridades estaduais e solicitar uma ordem judicial emergencial.
Na quarta-feira à noite, porém, um juiz federal rejeitou o pedido. O magistrado David Carter questionou a confiabilidade do levantamento e afirmou que cidadãos que cumpriram os requisitos legais para votar não podem perder esse direito com base em acusações sem comprovação e em um procedimento sujeito a erros.
A decisão reforçou o debate sobre os limites da atuação do governo federal na fiscalização dos cadastros eleitorais e a responsabilidade dos estados pela administração das eleições.
Fonte: CBS

