EUA destinam US$ 1 milhão a projeto que questiona atuação do STF, diz Guardian

Financiamento do Departamento de Estado faria parte de mais de US$ 175 milhões destinados a iniciativas conservadoras; três senadores democratas pediram que governo Trump reconheça o resultado das eleições brasileiras

Por Lara Barth

Dólar; dinheiro; economia

O governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão a um projeto voltado a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo levantamento publicado pelo jornal britânico The Guardian. O recurso faz parte do Human Rights and Democracy Fund (HRDF), do Departamento de Estado americano.
De acordo com o jornal, o projeto, chamado Combating Weaponized Litigation and Censorship in Brazil — em tradução livre, “Combate à litigância instrumentalizada e à censura no Brasil” — prevê apoio a organizações da sociedade civil que contestam o que consideram abuso do poder judicial e restrições à liberdade de expressão por parte do STF.
O financiamento brasileiro está entre mais de 40 concessões que somam mais de US$ 175 milhões do fundo e que, segundo o Guardian, foram direcionadas a projetos ligados a pautas conservadoras e de direita em diferentes países. O jornal também cita uma verba de US$ 40 milhões para a Victims of Communism Memorial Foundation e recursos para organizações que atuam em temas como imigração, regulação e políticas relacionadas à África do Sul.
A divulgação ocorre às vésperas das eleições presidenciais brasileiras de outubro e em meio às tensões entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.
Senadores pedem que Trump reconheça resultado das eleições
No mesmo contexto, três senadores democratas dos Estados Unidos — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando a atuação do governo americano em relação ao Brasil.
Os parlamentares pediram que o governo se comprometa a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras de 2026 e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores. Eles também questionaram como o Departamento de Estado pretende coordenar suas políticas de direitos humanos e democracia com parceiros do Hemisfério Ocidental, inclusive em relação ao acompanhamento de processos eleitorais e judiciais.
Na carta, os senadores afirmam que tarifas, sanções e outras medidas adotadas pelo governo Trump teriam exercido pressão sobre instituições brasileiras. Eles também mencionam a nomeação de Darren Beattie para atuar em questões relacionadas ao Brasil e a recente reunião entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro.
As afirmações sobre uma suposta interferência do governo americano são dos próprios senadores e fazem parte de uma carta de oposição à política externa da administração Trump. O governo americano já rejeitou acusações semelhantes de que estaria tentando interferir nas eleições brasileiras.
Os três parlamentares também afirmaram que as ações em relação ao Brasil fazem parte, na avaliação deles, de um padrão mais amplo de atuação do governo Trump em processos eleitorais na América Latina.
A carta foi enviada em 29 de setembro, poucos dias antes do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 4 de outubro de 2026.

Fonte: CBN