Deputados dos EUA cobram Trump sobre possível interferência nas eleições brasileiras
Parlamentares democratas pedem explicações a Marco Rubio sobre a revogação do visto da embaixadora brasileira e outras medidas adotadas pelo governo Trump.
Oito deputados democratas dos Estados Unidos enviaram uma nova carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando possíveis ações do governo Donald Trump relacionadas às eleições brasileiras de 2026. Os parlamentares também pediram explicações sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Na carta, os congressistas questionam se a medida contra a diplomata ocorreu após o Brasil negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que, segundo relatos, pretendiam discutir o sistema eleitoral brasileiro. Eles também perguntam se o governo americano considera as eleições brasileiras de 2022 livres e justas e se houve tentativas de avaliar o sistema eleitoral durante a atual campanha.
Os parlamentares ainda citam outras medidas adotadas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil, como sanções contra autoridades do Supremo Tribunal Federal, e questionam se representantes do governo Trump mantiveram contato com integrantes da família Bolsonaro durante essas ações. A carta solicita uma resposta até 20 de outubro, antes do segundo turno.
OEA aponta desinformação e ativismo internacional
O tema também aparece no relatório preliminar da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgado após o primeiro turno. A entidade afirmou que as eleições brasileiras foram marcadas por forte polarização e pela disseminação em massa de informações falsas, além de mencionar manifestações de atores políticos internacionais sobre o processo eleitoral.
Segundo a OEA, esse ativismo internacional chegou a incluir insultos contra uma das candidaturas, mas o relatório não identifica quem fez as declarações nem qual candidato foi alvo. A organização recomendou responsabilidade e respeito às instituições brasileiras, à soberania nacional e à vontade dos eleitores.
Ao mesmo tempo, o relatório registra que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou após o primeiro turno que não foram identificados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral.
As acusações feitas pelos parlamentares americanos permanecem como questionamentos ao governo Trump, e não como uma conclusão judicial ou oficial de que houve interferência nas eleições brasileiras.
Fonte: Newsweek