Justiça dos EUA pede que Washington separe votos de 400 pessoas suspeitas de não serem cidadãs
Departamento de Justiça afirma que os eleitores podem ter votado ilegalmente em eleições anteriores, mas autoridades estaduais questionam a precisão da lista e alertam para o risco de impedir cidadãos americanos de votar.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu às autoridades eleitorais do estado de Washington que separem cédulas de mais de 400 eleitores suspeitos de não serem cidadãos americanos, a poucos dias das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Em carta enviada na segunda-feira (26), os procuradores federais Neil Floyd, de Seattle, e Pete Serrano, do leste do estado, solicitaram ao secretário de Estado de Washington, Steve Hobbs, que os votos dessas pessoas não sejam contabilizados até que a situação de cidadania seja confirmada.
Segundo os procuradores, muitos dos 405 eleitores identificados seriam portadores de green cards, que permitem residência legal nos Estados Unidos, mas não autorizam o voto em eleições federais. Floyd afirmou que o grupo pode ter participado de várias eleições e estimou que mais de 1.500 votos tenham sido depositados ilegalmente.
Os procuradores deram às autoridades estaduais 48 horas, até quarta-feira (28), para revisar a lista. Caso o procedimento não seja implementado, disseram que poderão recorrer à Justiça para obter uma ordem emergencial.
Autoridades estaduais questionam a lista
Hobbs confirmou o recebimento da carta, mas levantou dúvidas sobre a precisão dos dados fornecidos pelo governo federal. Segundo ele, um dos registros apresentados remonta a 1994, período desde o qual mais de 113 milhões de cédulas foram depositadas em eleições primárias e gerais no estado.
O secretário afirmou que seu gabinete só atenderá a solicitações que respeitem o devido processo legal. Também criticou o momento do pedido, feito uma semana antes da eleição, e disse que a iniciativa pode lançar suspeitas infundadas sobre os resultados eleitorais.
O gabinete de Hobbs alertou ainda que o sistema utilizado pelo Departamento de Justiça pode identificar erroneamente cidadãos americanos como não cidadãos, colocando em risco o direito de voto de eleitores elegíveis.
Pela legislação federal, estrangeiros que não possuem cidadania americana não podem votar em eleições federais. Casos de participação de não cidadãos nesse tipo de eleição são considerados raros.
Disputa sobre registros eleitorais
A iniciativa faz parte de uma série de ações do governo Trump para obter acesso aos cadastros eleitorais completos dos estados e verificar a situação migratória de eleitores registrados.
No ano passado, o Departamento de Justiça solicitou a Washington a lista eleitoral sem informações ocultadas. Após a recusa das autoridades estaduais, o governo federal entrou com uma ação judicial, rejeitada por um juiz federal no mês passado.
A administração Trump também abriu processos contra 30 estados e o Distrito de Columbia para obter registros eleitorais completos. Segundo a reportagem, 27 dessas ações foram rejeitadas por juízes federais. Outros casos continuam em andamento, embora um processo contra Oklahoma tenha sido retirado pelo próprio governo.
Como Washington não forneceu os dados solicitados, o Departamento de Segurança Interna (DHS) comparou uma lista pública de eleitores registrados com informações governamentais para identificar pessoas que supostamente não seriam cidadãs americanas. Em seguida, o governo verificou se elas teriam votado, segundo Floyd.
Califórnia também é alvo de iniciativa semelhante
O pedido em Washington ocorre após o Departamento de Justiça solicitar, no início deste mês, que autoridades da Califórnia separassem cédulas enviadas pelo correio por eleitores que o governo suspeita não serem cidadãos.
Na Califórnia, o governo federal entrou com uma ação judicial para impedir temporariamente a contagem de votos por correspondência atribuídos a cerca de 20 mil pessoas incluídas em sua lista, até que a cidadania fosse verificada.
Uma audiência sobre o pedido estava prevista para terça-feira (27). Na segunda-feira à noite, uma tentativa do governo Trump de obter uma decisão emergencial de um tribunal federal de apelações foi rejeitada.
Até o momento, o Departamento de Justiça enviou uma carta às autoridades de Washington, mas ainda não apresentou uma ação judicial para obrigá-las a separar os votos dos 405 eleitores identificados.
Fonte: CBS