Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota histórica a Trump
Com o controle das duas Casas do Congresso, partido terá mais poder para barrar propostas do presidente nos próximos dois anos. Trump afirmou que aceitará o resultado, mas sinalizou que pretende usar o poder de veto para enfrentar a oposição.
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota expressiva para o presidente republicano Donald Trump, que perde o controle do Legislativo e terá de lidar com uma oposição fortalecida pelos próximos dois anos.
No Senado, os democratas chegaram a 54 das 100 cadeiras, enquanto os republicanos ficaram com 44. Dois assentos ainda aguardavam a definição dos resultados. A legenda elegeu 20 senadores, incluindo sete em disputas nas quais conseguiu virar cadeiras que estavam nas mãos dos republicanos.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram 228 assentos, contra 139 dos republicanos. Outros 68 resultados ainda estavam pendentes. O partido conseguiu tomar 25 cadeiras anteriormente ocupadas por republicanos, em distritos de mais de dez estados.
A mudança altera o equilíbrio de poder em Washington. Com maioria nas duas Casas, os democratas terão maior capacidade de influenciar a tramitação de projetos, bloquear propostas e fiscalizar o governo.
Trump diz que aceitará resultado, mas promete vetos
Após a confirmação da vitória democrata, Trump afirmou, em entrevista ao jornal The New York Times, que está disposto a trabalhar com o partido adversário.
“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou o presidente, acrescentando que espera chegar a acordos com os democratas.
Nos dias anteriores à votação, porém, Trump havia colocado em dúvida se reconheceria uma eventual derrota, afirmando que só aceitaria os resultados caso as eleições fossem “limpas”.
Depois dos primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, o presidente publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”. A publicação reforçou uma estratégia que ele já havia mencionado em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post.
Na ocasião, Trump disse que poderia se tornar o “Sr. Veto”, barrando projetos aprovados pelos democratas até que o partido aceitasse negociar com o governo.
Democratas vencem em estados tradicionalmente republicanos
Entre os resultados de maior repercussão estão as vitórias democratas no Texas e na Carolina do Sul, dois estados historicamente conservadores.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, procurador-geral apoiado por Trump. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham, candidata que também tinha o apoio do presidente.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, em mais uma vitória significativa da oposição em um estado de tendência republicana.
Os democratas também mantiveram cadeiras importantes. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga deixada por Jeanne Shaheen, que está se aposentando.
Outros senadores democratas, como Cory Booker, de Nova Jersey, Ed Markey, de Massachusetts, e John Hickenlooper, do Colorado, também garantiram a reeleição. Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir Dick Durbin.
Trump havia participado diretamente da campanha de candidatos republicanos, incluindo Paxton e Husted. As derrotas representam um revés para o presidente, que mobilizou seu peso político em favor dos aliados.
Como funcionam as eleições de meio de mandato
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial.
Diferentemente do Brasil, o Congresso americano passa por uma renovação parcial a cada dois anos. Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes são disputados nesse intervalo, já que os deputados têm mandatos de dois anos.
No Senado, os mandatos são de seis anos. Por isso, aproximadamente um terço das 100 cadeiras é renovado a cada eleição. Neste ano, 35 vagas estavam em disputa.
A conquista da maioria nas duas Casas dá aos democratas mais influência sobre a agenda legislativa e amplia a capacidade de fiscalização do governo Trump.
Fonte: G1