Um novo conceito de avião com aparência semelhante à de uma arraia pode transformar o design das aeronaves comerciais e, segundo a fabricante, reduzir significativamente os custos com combustível.
Batizado de Z4, o projeto é desenvolvido pela empresa americana JetZero, com sede na Califórnia. A companhia pretende realizar o primeiro voo de um protótipo em tamanho real em 2027 e iniciar a operação comercial no começo da década de 2030.
O diferencial está no formato da aeronave: em vez da estrutura tradicional, com uma fuselagem separada das asas, o Z4 terá a parte central e as asas integradas em uma única estrutura.
Segundo a JetZero, esse desenho melhora a aerodinâmica e pode reduzir o consumo de combustível entre 30% e 50% em comparação com aeronaves como o Boeing 787.
Projeto de US$ 3 bilhões
Em julho, a JetZero anunciou um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte.
A unidade deverá acelerar o desenvolvimento e a produção da aeronave, que representa uma mudança significativa no padrão de design utilizado pela aviação comercial há décadas.
A empresa espera que o projeto possa representar uma das maiores transformações no desenho de aviões desde o Concorde, que realizou seu último voo comercial em 2003.
Como será o interior do Z4?
O Z4 está sendo projetado para transportar aproximadamente 250 passageiros, distribuídos em seis seções dentro da cabine.
Outra promessa é oferecer um compartimento de bagagem para cada assento, ampliando o espaço disponível para os passageiros.
Mas o interior também terá uma mudança bastante radical: não haverá janelas convencionais ao lado dos assentos.
No lugar delas, telas instaladas na cabine poderão transmitir imagens do exterior captadas por câmeras de alta definição.
A iluminação natural será proporcionada por duas claraboias, localizadas próximas às primeiras fileiras.
Alcance de até 9.200 quilômetros
De acordo com a JetZero, o Z4 poderá realizar voos de até 5.000 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 9.200 quilômetros.
Para efeito de comparação, a distância entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 quilômetros.
A fabricante aposta justamente na combinação entre aerodinâmica e menor consumo para tornar o modelo mais eficiente em rotas de longa distância.
Projeto ainda enfrenta desafios
Apesar das promessas, especialistas e críticos apontam obstáculos que precisarão ser resolvidos antes que o avião possa entrar em operação comercial.
Segundo o Wall Street Journal, passageiros sentados próximos às asas podem experimentar maior desconforto durante as curvas, enquanto a ausência de janelas poderia aumentar a sensação de enjoo para algumas pessoas.
Outro desafio está relacionado ao embarque e desembarque. As portas do Z4 serão posicionadas de maneira diferente das aeronaves convencionais, o que pode exigir adaptações em aeroportos e procedimentos de evacuação.
Componentes já utilizados podem acelerar desenvolvimento
Para tentar reduzir o tempo necessário para colocar o avião no mercado, a JetZero pretende utilizar componentes já empregados em outras aeronaves e aprovados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA).
A estratégia pode ajudar a simplificar parte do processo de certificação.
O projeto já conta com o apoio de grandes companhias aéreas. A United Airlines tem um acordo para adquirir 200 unidades do Z4, enquanto empresas como Delta Air Lines e Alaska Airlines também participam do desenvolvimento.
Se os testes e a certificação avançarem conforme o planejado, o Z4 poderá chegar ao mercado na próxima década com a promessa de mudar não apenas a aparência dos aviões comerciais, mas também a eficiência dos voos.
Fonte: G1

