O presidente Donald Trump classificou como uma “farsa” os alertas de líderes da indústria de inteligência artificial sobre os riscos da tecnologia. Em uma série de publicações nas redes sociais, Trump afirmou que os temores de que a IA possa assumir o controle do mundo ou ameaçar a humanidade fazem parte de uma “conspiração doentia”.
Trump também disse que os Estados Unidos estão à frente de outros países, incluindo a China, no desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo ele, novas restrições poderiam prejudicar a liderança americana no setor. “Não matem a galinha dos ovos de ouro”, escreveu.
As declarações ocorreram enquanto executivos de grandes empresas de IA passaram a defender um ritmo mais cauteloso para o avanço da tecnologia. Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que a empresa apoiaria regras federais de segurança para os chamados modelos de fronteira, desde que o desenvolvimento continue.
Altman disse que o ritmo de avanço deve ser reduzido para evitar que as capacidades dos sistemas ultrapassem os mecanismos de segurança e monitoramento. Para ele, isso não significa interromper o progresso, mas garantir que o desenvolvimento ocorra de forma responsável.
O vice-presidente JD Vance afirmou que o governo reconhece os riscos da IA, mas defendeu uma regulamentação “inteligente”. Ele também classificou os pedidos de empresas do setor por maior controle governamental como uma possível “armadilha”, argumentando que as próprias companhias podem se beneficiar das regras.
O debate ganhou força após Jacob Coxon, ex-pesquisador de segurança da Anthropic e da OpenAI, deixar a Anthropic e alertar que empresas do setor estariam avançando rapidamente em direção a sistemas capazes de melhorar a si mesmos. Segundo Coxon, parte dos profissionais que desenvolvem IA acredita que a tecnologia poderia representar uma ameaça extrema à humanidade ainda nesta década.
Outros líderes também pediram cautela. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu que o setor reduza o ritmo de evolução dos modelos de IA. Parlamentares democratas e republicanos também pressionam por medidas de segurança e já iniciaram investigações sobre as empresas do setor.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que Trump pretende se reunir com executivos de IA nesta semana. Enquanto isso, o líder democrata Hakeem Jeffries defendeu uma ação urgente do Congresso para reduzir os riscos da tecnologia.
Trump, porém, mantém uma postura mais favorável à expansão da IA e afirmou que o único “controle” necessário seria uma liderança forte e inteligente na Casa Branca. O presidente também confirmou que utiliza inteligência artificial pessoalmente, mas não revelou quais sistemas usa ou para quais finalidades.
Imagens: ABC

