A Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) promoveu nesta semana uma audiência no Congresso Nacional para debater o futuro das políticas afirmativas no setor do cinema. O encontro, convocado pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, contou com a presença de parlamentares, lideranças do audiovisual e representantes da sociedade civil.
"As discussões em Brasília ocorrem em um cenário que a Apan considera um ponto de inflexão para o audiovisual brasileiro: de um lado, há conquistas recentes em políticas públicas; e, de outro, o desafio de consolidar a reparação histórica e o fortalecimento de uma indústria que reflita, de fato, a pluralidade e a potência da população negra, maioria no país, reflete a presidente da Apan, Tatiana Carvalho Costa.
Para a presidenta da associação, o momento é estratégico para a construção de um debate público capaz de sensibilizar diferentes setores da política nacional.
Essa audiência pública foi super importante, sobretudo, neste momento em que se discute a reparação histórica. Ela pode ajudar em uma sensibilização do Parlamento, do poder público, nos estados e municípios, e da população em geral, para uma consciência maior sobre a importância da manutenção e ampliação das ações afirmativas no audiovisual, pensando também as empresas de pessoas negras e indígenas.
Uma pesquisa publicada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2016, apontava que 2% dos diretores de filmes lançados comercialmente eram negros. Entre roteiristas, o índice era de apenas 4%.
Em 2019, um levantamento do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa/Uerj) revelou que, entre 142 longas-metragens brasileiros lançados, apenas um tinha sido dirigido por uma mulher negra até aquele ano.
Entre 1908 e 2015, dos mais de 2,5 mil filmes brasileiros produzidos, menos de 1% tiveram protagonismo negro."Isso significa que, em mais de um século de cinema, a história da população negra foi apagada ou estigmatizada, reitera Márcia Cândido, do Gemaa.

