O documentário Anistia 79, de Anita Leandro, foi o grande destaque do 29º Festival de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, encerrado neste sábado (31). O filme conquistou tanto o Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme da Mostra Olhos Livres, concedido pelo Júri Oficial, quanto o prêmio de Melhor Longa pelo Júri Popular.
A Mostra de Tiradentes reafirma-se como um dos principais espaços de lançamento, reflexão crítica e articulação do cinema brasileiro contemporâneo.
No palco, Anita Leandro se emocionou ao comentar a recepção do filme em Tiradentes, que classificou como a mais intensa de sua trajetória.As pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, parecia uma liturgia, disse a diretora.
Para ela, o reconhecimento pode contribuir para ampliar a circulação do documentário nas salas comerciais e fortalecer o diálogo com novos públicos.
Construído a partir de gravação inédita de uma reunião realizada em Roma, em 1979, em defesa da anistia aos presos políticos da ditadura, Anistia 79 transforma um registro de arquivo em experiência cinematográfica viva. Na justificativa, o júri destacou a apropriação criativa do material amador, capaz de multiplicar as possibilidades de cada fotograma, além da potência política do filme ao iluminar personagens pouco presentes no imaginário sobre a luta contra a ditadura, reafirmando o cinema como espaço de construção da memória.

