Julio Torres, veterano dos Fuzileiros Navais dos EUA que lutou no Iraque, vive hoje sob o medo constante de deportação. Nascido no México e residente legal desde os cinco anos, Torres foi detido em 2023 ao retornar de viagem, devido a antigas acusações ligadas ao vício em drogas e ao transtorno pós-traumático. Apesar de ter servido às Forças Armadas, ele teme ser novamente alvo da imigração sob a política de deportações em massa de Donald Trump.
Estima-se que mais de 100 mil veteranos não possuem cidadania americana, embora muitos tenham sido recrutados com a promessa de acesso facilitado à naturalização. Torres relata que o medo piora seu quadro de PTSD e diz sentir-se traído pelo país que defendeu. “Eu lutei para criar meus filhos aqui. Se for deportado, o que eu lutei significou o quê?”, questiona.
Outros veteranos já sofreram consequências graves. O queniano David Bariu, deportado em 2008, enfrentou depressão e risco de morte em região dominada pelo grupo terrorista Al-Shabaab. Só conseguiu voltar aos EUA após programa de reintegração criado no governo Biden. Ele hoje apoia ex-militares deportados em situação semelhante.
No Congresso, parlamentares democratas e alguns republicanos tentam aprovar uma lei que facilite a cidadania de militares e familiares, permitindo inclusive a solicitação já no treinamento básico. No entanto, Trump tem reforçado medidas que dificultam a naturalização e retirado proteções antes garantidas a veteranos.
Apesar da resistência republicana, defensores da proposta pedem que o tema seja visto como uma questão de direitos dos veteranos, não apenas de imigração. “Mesmo que este país não me considere parte dele, eu o considero minha pátria”, afirmou Torres.
Fonte: ABC

