O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) planeja gastar US$ 100 milhões em um período de um ano em uma estratégia de recrutamento descrita internamente como “de guerra”. O objetivo é contratar milhares de novos agentes de deportação em todo o país, segundo um documento interno analisado pelo Washington Post.
A estratégia inclui o uso de influenciadores digitais, anúncios direcionados por localização (geofencing) e campanhas focadas em públicos como defensores do porte de armas, veteranos militares e entusiastas de atividades táticas. Os anúncios seriam exibidos para pessoas que frequentaram eventos como lutas do UFC, corridas da NASCAR, feiras de armas, bases militares e até campi universitários.
O plano faz parte do esforço do governo do presidente Donald Trump para ampliar significativamente as deportações. O Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou a meta de contratar mais de 10 mil novos funcionários, elevando o quadro atual do ICE, que já ultrapassa 20 mil servidores. O Congresso triplicou recentemente o orçamento da agência para fiscalização e deportação, que chegou a cerca de US$ 30 bilhões.
O documento detalha uma campanha de grande escala em redes sociais, serviços de streaming, podcasts e plataformas populares entre o público conservador, como o Rumble. A ideia é “inundar o mercado” com anúncios e acelerar contratações por meio de mensagens que retratam o trabalho do ICE como uma missão patriótica de defesa do país.
Ex-diretores da agência demonstraram preocupação com a abordagem. Sarah Saldaña, que comandou o ICE durante o governo Obama, alertou que o discurso de guerra e a pressa nas contratações podem atrair pessoas despreparadas e excessivamente agressivas para funções que exigem treinamento e cautela.
Em resposta, uma porta-voz do DHS afirmou que a campanha de recrutamento tem sido “bem-sucedida”, com mais de 220 mil candidaturas recebidas em cinco meses e cerca de 18 mil ofertas de emprego feitas.
Segundo ela, a maioria dos novos contratados tem experiência prévia em forças de segurança.
Apesar disso, os anúncios do ICE têm gerado críticas de políticos democratas, especialistas em imigração e parte do público, que consideram o tom das campanhas inflamatório e polarizador, além de ignorar as complexidades legais e humanas da política migratória.
Fonte: The Washington Post

