O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou temer que a cidade esteja à beira de um novo colapso social, à medida que continua a megaoperação de imigração conduzida pelo governo Trump. Segundo ele, o acúmulo de tensões lembra o cenário de 2020, após o assassinato de George Floyd, e pode levar a um momento em que “tudo explode”.
Atualmente, cerca de 3.000 agentes do ICE e da Patrulha de Fronteiras atuam na região de Minneapolis — quase cinco vezes o efetivo total da polícia local — na maior mobilização federal de imigração já realizada em uma cidade americana. A operação, chamada de Operation Metro Surge, tem como objetivo declarado combater imigração ilegal e fraudes, mas é vista por autoridades locais como uma ocupação federal.
Uma semana após a morte de Renee Good, baleada fatalmente por um agente do ICE, confrontos entre agentes federais e manifestantes tornaram-se frequentes. O clima de hostilidade foi evidenciado quando a equipe da CBS News presenciou o uso de granadas de efeito moral e ouviu explosões próximas a um novo episódio envolvendo disparos de um agente federal, que feriu um homem venezuelano na perna. O ICE afirma que o agente foi atacado com uma pá de neve e um cabo de vassoura.
O’Hara, que tenta reconstruir a confiança da comunidade na polícia desde o caso George Floyd, disse que alertou autoridades federais por semanas sobre o risco de tragédias iminentes. Segundo ele, o sistema de emergência 911 da cidade está sobrecarregado por ligações de moradores relatando uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e abordagens agressivas durante ações do ICE.
O chefe da polícia criticou a forma como algumas abordagens são conduzidas, citando casos em que pessoas teriam sido retiradas de veículos ainda em movimento. Em um episódio específico, uma cidadã americana com deficiência, Aliya Rahman, foi presa após não conseguir obedecer a ordens conflitantes de agentes do ICE enquanto tentava chegar a uma consulta médica. Ao assistir às imagens, O’Hara se disse indignado e afirmou que, se os agentes envolvidos fossem de sua corporação, enfrentariam punições.
Já o diretor nacional de operações de deportação do ICE, Marcos Charles, defendeu a atuação dos agentes e afirmou que não houve necessidade de disciplinar nenhum servidor. Segundo ele, os agentes agem dentro da lei, dão ordens claras e efetuam prisões quando há desobediência ou agressão. Charles também criticou a cobertura da mídia e disse que vídeos nas redes sociais não mostram o contexto completo das operações.
A morte de Renee Good se tornou um símbolo da divisão no país. Enquanto autoridades federais alegam que ela teria ameaçado agentes com o veículo, líderes locais e parte da população veem o caso como uso excessivo de força. Promotores federais de Minnesota chegaram a renunciar após serem pressionados, segundo fontes, a investigar a vítima e sua esposa, em vez do agente que efetuou o disparo. Investigadores estaduais também teriam sido impedidos de participar da apuração.
O clima político se agravou ainda mais após o Departamento de Justiça abrir investigações contra o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, acusados de interferir nas operações do ICE com declarações públicas. Ambos classificaram a investigação como intimidação política.
Para O’Hara, a única saída para reduzir a tensão passa por uma mudança de tom vinda da Casa Branca. Segundo ele, é possível combater crimes graves sem tratar cidadãos americanos de forma que coloque em risco a estabilidade e a convivência em Minneapolis.
Fonte: CBS

