Um veterano do Exército dos Estados Unidos e condecorado com a Purple Heart afirma que foi detido por cerca de oito horas por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), em Minneapolis, sem ter permissão para falar com um advogado ou com familiares. William Vermie, de 39 anos, relatou em entrevista à ABC News que foi imobilizado, preso e levado para uma cela no prédio federal Bishop Henry Whipple no início deste mês.
Segundo Vermie, ele estava em uma calçada pública apenas observando agentes do ICE deterem dois jovens em seu bairro, durante uma operação chamada pelo governo de *Operation Metro Surge*. Ele diz que, após se recusar a responder perguntas sem a presença de um advogado, ouviu que teria essa oportunidade “mais tarde”, o que, segundo ele, nunca aconteceu.
“Somos todos amparados pelo direito à defesa. Isso está na Constituição. Mesmo alguém em situação migratória irregular tem direito a um advogado”, afirmou Vermie. Ele disse ainda que só depois soube que sua esposa havia contratado um advogado, que tentou falar com ele enquanto estava detido, sem sucesso.
Advogados ouvidos pela ABC News afirmam que o caso de Vermie não é isolado. Pelo menos quatro relataram ter sido impedidos recentemente de acessar clientes detidos no mesmo prédio federal, o que, segundo eles, pode configurar violação da Quinta e da Sexta Emendas da Constituição, que garantem o devido processo legal e o direito à assistência jurídica.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) nega as acusações. Em nota, o órgão afirmou que Vermie foi preso por suposta agressão a um agente federal — acusação que ele rejeita — e disse que nenhum detento tem seus direitos constitucionais violados. O DHS também declarou que todos os custodiados têm oportunidades de se comunicar com advogados e familiares.
Vermie, que serviu como soldado de infantaria entre 2004 e 2009 e foi ferido em combate no Iraque, afirmou que decidiu tornar o caso público por considerar isso um dever cívico. “Tenho privilégios. Se eu não falar por quem precisa, quem vai falar?”, questionou. Apesar da experiência, ele disse que pretende continuar protestando contra as ações do ICE, embora com mais cautela.
Fonte: ABC

