Um brasileiro está preso nos Estados Unidos desde novembro após ter sido detido durante a entrevista final para obtenção da residência permanente. Matheus Silveira, de 30 anos, foi preso por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) no dia 24 de novembro, em San Diego, na Califórnia.
Matheus é casado desde agosto de 2024 com Hannah Silveira, cidadã americana e veterana do Exército dos EUA, onde atuou como paramédica. Segundo ela relatou ao portal Newsweek, o casal compareceu junto à entrevista no escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), que seria a última etapa antes da aprovação do green card.
De acordo com Hannah, o pedido havia sido aprovado, mas, em determinado momento, a agente responsável informou que “pessoas no corredor” aguardavam pelo casal. Pouco depois, quatro agentes do ICE entraram na sala e prenderam Matheus, alegando que havia um mandado relacionado à permanência dele no país após o vencimento do visto.
Desde então, Matheus está detido no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego. Ele obteve o direito à saída voluntária dos Estados Unidos, o que evita uma deportação formal, mas o acordo o impede de retornar ao país por um período de 10 anos.
A secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, confirmou à Newsweek que Matheus permanecerá sob custódia do ICE até a conclusão dos procedimentos de remoção. Em nota, ela afirmou que o brasileiro foi preso como um “estrangeiro ilegal criminoso” por ter permanecido no país após o vencimento do visto de estudante F-1.
Além disso, o Departamento de Segurança Interna dos EUA mencionou uma condenação anterior por dirigir sob influência de álcool como parte da motivação para mantê-lo sob custódia, mas a família contesta que ele não tem antecedentes criminais além dessa situação alegada.
A família contesta o uso do termo “criminoso” e afirma que Matheus não possui antecedentes criminais. Segundo a esposa, o visto dele venceu durante a pandemia de Covid-19, período em que muitos processos migratórios ficaram suspensos ou atrasados.
O casal morava em San Diego e planejava abrir um negócio em Minneapolis, mas agora pretende recomeçar a vida no Rio de Janeiro após a liberação de Matheus. No Brasil, ele já estudava para atuar no setor da aviação e sonhava em se tornar piloto. Hannah, por sua vez, terá de buscar uma nova carreira, já que sua formação não é reconhecida no país.
Hannah afirmou ter se sentido enganada pelas autoridades migratórias durante a entrevista e disse que não esperava a prisão naquele momento.
Fonte: G1

