O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) retirou as acusações federais contra dois homens que haviam sido denunciados por supostamente agredir agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis no mês passado. Um dos acusados, o venezuelano Julio Cesar Sosa-Celis, chegou a ser baleado na perna por um agente durante a ocorrência.
O pedido de arquivamento foi protocolado na quinta-feira pelo procurador federal em Minnesota, Daniel Rosen, com base em “novas evidências descobertas” consideradas “materialmente inconsistentes” com as alegações originais. As acusações foram retiradas *com prejuízo*, o que impede que sejam reapresentadas no futuro. Na sexta-feira, um juiz homologou a decisão.
Em janeiro, Alfredo Alejandro Aljorna e Sosa-Celis haviam sido acusados de agredir, resistir ou impedir agentes federais no exercício de suas funções. A denúncia ganhou repercussão nacional após Sosa-Celis ser baleado durante a abordagem, em meio ao reforço das operações migratórias federais no estado.
As versões oficiais sobre o que ocorreu, no entanto, apresentaram contradições. Um dia após o tiroteio, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Sosa-Celis teria fugido de uma “abordagem de trânsito direcionada”, colidido com um carro estacionado e continuado a fuga a pé. Segundo o DHS, dois homens teriam então atacado o agente com um cabo de vassoura e uma pá de neve, e o disparo teria sido feito em “legítima defesa”.
Já um depoimento do FBI anexado ao processo apresentava outra narrativa: indicava que Aljorna — e não Sosa-Celis — teria fugido de carro, e que Sosa-Celis teria sido o primeiro a atingir o agente com o cabo de vassoura enquanto o policial tentava prender Aljorna. O documento também apontava que o agente estava em condições de iluminação precárias e teve dificuldade para identificar os agressores.
Um vídeo gravado por celular, divulgado por um parlamentar estadual, mostra ainda uma mulher relatando ao serviço de emergência 911 que o marido foi perseguido por agentes do ICE até a porta de casa e baleado diante da família.
O advogado de Aljorna, Frederick Goetz, afirmou à CBS News que imagens de câmeras de segurança mostrariam que a alegação de agressão ao agente “não é sustentada pelas imagens”. Ele elogiou o Ministério Público por “fazer a coisa certa” ao arquivar o caso.
O DOJ e a defesa de Sosa-Celis foram procurados para comentar o caso.
O episódio ocorreu poucos dias após outros dois casos fatais envolvendo agentes federais em Minneapolis: a morte de Renee Good, baleada por um agente do ICE, e a morte de Alex Pretti, atingido por agentes do DHS. Os casos provocaram protestos em massa na cidade e elevaram a tensão local.
Diante da escalada, o presidente Donald Trump chegou a ameaçar acionar a Lei da Insurreição para enviar tropas ao estado. Na última semana, porém, o responsável pelas operações de fronteira, Tom Homan, anunciou o fim da intensificação das ações migratórias em Minnesota, alegando que o número de prisões por “segurança pública” já teria reduzido a necessidade de presença federal reforçada.
Fonte: CBS

