O governo do presidente Donald Trump está ampliando de forma significativa os esforços para revogar a cidadania de americanos naturalizados, como parte de uma política mais ampla de endurecimento contra a imigração. A informação foi confirmada por duas fontes com conhecimento direto dos planos.
Nos últimos meses, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), órgão vinculado ao Departamento de Segurança Interna (DHS), passou a enviar especialistas para escritórios em todo o país e a realocar funcionários para analisar se cidadãos naturalizados podem ser alvo de processos de desnaturação.
A meta, segundo uma das fontes, é encaminhar entre 100 e 200 possíveis casos por mês ao setor de litígios de imigração. Historicamente, esse tipo de ação é raro e costuma envolver situações em que o indivíduo teria omitido antecedentes criminais ou violações de direitos humanos durante o processo de naturalização. Durante todo o primeiro mandato de Trump, 102 casos foram formalmente abertos. Já no governo Biden, 54 ações resultaram em decisões favoráveis ao governo.
Foco em acelerar processos
Autoridades também estariam buscando maneiras de acelerar os trâmites, treinando equipes em mais de 80 escritórios regionais do USCIS. O Departamento de Justiça orientou advogados a priorizarem casos de desnaturação, incluindo suspeitos de ameaças à segurança nacional, crimes de guerra, fraude contra programas públicos como Medicaid e Medicare e outros casos considerados “suficientemente importantes”.
Um porta-voz do USCIS afirmou que a agência mantém política de tolerância zero contra fraudes no processo de naturalização e que só busca revogar cidadanias quando há evidências credíveis de fraude ou falsa declaração.
O endurecimento ocorre em paralelo a outras medidas do DHS, como aumento de operações de deportação, revogação de milhares de vistos e tentativas de deportar portadores de green card.
Debate legal e preocupações
A desnaturação exige processo judicial e enfrenta alto padrão de prova, podendo levar anos até uma decisão definitiva. Especialistas destacam que nenhum presidente pode retirar cidadania de forma unilateral.
Trump também tenta, separadamente, acabar com a cidadania automática para filhos de estrangeiros nascidos nos EUA — direito previsto na Constituição. O tema está sob análise da Suprema Corte.
Críticos afirmam que a ofensiva pode gerar medo entre cidadãos naturalizados. Há receio de que mudanças nas políticas migratórias ampliem interpretações sobre “boa conduta moral”, exigência para a naturalização.
Até o momento, no segundo mandato de Trump, 16 casos foram apresentados e sete tiveram decisão favorável ao governo.
Fonte: NBC

