O governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação formal sobre práticas comerciais do Brasil e incluiu o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, como um dos principais pontos de crítica. Segundo o Escritório da Representação Comercial dos EUA (USTR), o Pix seria um exemplo de favorecimento estatal que prejudicou a atuação de empresas americanas no país, em especial no setor de pagamentos eletrônicos.
A queixa faz parte de uma investigação anunciada na terça-feira (15), que analisa possíveis práticas comerciais “injustas” do Brasil. No documento, o USTR afirma que “o Brasil parece favorecer seus próprios serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”. A crítica se concentra especialmente na suspensão do WhatsApp Pay, serviço lançado pela Meta, que teve sua operação bloqueada pouco após o anúncio oficial em junho de 2020.
O WhatsApp Pay utilizaria as bandeiras Mastercard e Visa para processar as transações. No entanto, o Banco Central e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) barraram o funcionamento da plataforma, alegando riscos para o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e preocupações concorrenciais. Sem concorrência efetiva, o Pix foi lançado oficialmente em novembro de 2020 e rapidamente se popularizou, tornando-se a principal forma de transferência no país.
A liberação do WhatsApp Pay só ocorreu em março de 2021, quando o Pix já havia sido amplamente adotado pelos brasileiros. Apesar do relançamento, a ferramenta da Meta não conseguiu competir com a consolidação do sistema público.
A investigação do governo americano busca avaliar se essas e outras medidas brasileiras ferem acordos internacionais e se justificariam futuras retaliações comerciais. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a inclusão do Pix na investigação.
Fonte: CNN

