O governo brasileiro considera que a forma mais prudente para iniciar o diálogo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump seria por telefone ou videoconferência, antes de um encontro presencial. O Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliam que a solução permitiria ajustes de agenda e maior cautela diante da relação ainda delicada entre os dois países.
A possibilidade de reunião ganhou força após breve encontro entre os presidentes durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump afirmou que houve “química” com Lula e anunciou publicamente que os dois conversariam nesta semana, embora data, formato e local ainda não estejam definidos.
Desde que Trump assumiu a presidência no fim de 2024, a relação com o Brasil tem sido marcada por tensões. O norte-americano aplicou uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros e fez críticas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão. Apesar disso, Lula reafirmou que está aberto a negociar sobre comércio, sem abrir mão da defesa da soberania e da independência do Judiciário.
Diplomatas brasileiros atuam de forma discreta, temendo reviravoltas nas posições de Trump. Do lado americano, setores privados pressionam contra os tarifaços, que vêm causando impactos negativos em segmentos da economia. Já especialistas brasileiros defendem postura firme e equilibrada, evitando concessões vistas como favorecimento.
Nos últimos cinco anos, cerca de 70 empresas brasileiras investiram nos Estados Unidos, gerando mais de 2,5 mil empregos e movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Analistas avaliam que, mesmo sem acordo imediato, o Brasil dificilmente sairá prejudicado do contato com Trump, já que Lula tem reforçado um discurso nacionalista e de defesa da soberania, o que lhe garante respaldo interno.
Fonte: G1

