Mais de dez países já aderiram ao chamado “Conselho da Paz” para Gaza, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo fontes familiarizadas com as negociações ouvidas pela CBS News. Até o momento, porém, apenas cinco países — Emirados Árabes Unidos, Belarus, Marrocos, Hungria e Canadá — aceitaram publicamente o convite para integrar o grupo.
De acordo com a visão de Trump, o conselho seria formado por líderes mundiais, com o próprio presidente norte-americano atuando como presidente do colegiado. A Casa Branca informou que os países podem contribuir com US$ 1 bilhão para se tornarem membros permanentes, em vez de ocupar assentos rotativos de três anos. O Canadá, no entanto, já afirmou que não pretende pagar para participar.
Algumas nações devem contribuir com valores bem menores, possivelmente em torno de US$ 20 milhões, segundo uma das fontes. Um funcionário da Casa Branca disse à CBS News que “praticamente cada dólar” arrecadado será destinado às atividades do conselho em Gaza, enquanto a reconstrução do território palestino será tratada em um esforço separado de arrecadação.
Outro integrante do governo norte-americano afirmou que Trump deseja realizar uma cerimônia oficial de assinatura do conselho durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quinta-feira. O presidente também avalia a possibilidade de ampliar o escopo do grupo para além de Gaza, cogitando inclusive que ele possa se tornar uma alternativa ou rival às Nações Unidas.
Apesar dos planos, a iniciativa enfrenta forte resistência de aliados dos Estados Unidos, especialmente em meio à renovada pressão de Trump para adquirir a Groenlândia — inclusive sem descartar o uso de força militar. A baixa adesão pública pode gerar constrangimento diplomático para o governo americano em Davos.
A Rússia foi convidada a integrar o conselho, apesar de sua ofensiva contínua contra a Ucrânia e das declarações da própria administração Trump de que Moscou representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
Na noite de segunda-feira, Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso a França não aceite participar do conselho. A Casa Branca não esclareceu se a declaração foi séria ou uma brincadeira. Segundo uma fonte, neste momento Paris não pretende responder favoravelmente ao convite.
A Casa Branca afirma que o Conselho da Paz terá papel “essencial” na implementação dos 20 pontos do plano de Trump para Gaza, oferecendo supervisão estratégica, mobilização de recursos internacionais e garantia de responsabilidade durante a transição do território do conflito para a paz e o desenvolvimento.
Fonte: CBS

