Hannah Charlier, 83 anos de idade, é uma sobrevivente do Holocausto. Nascida em 1944, na Bélgica, ela é filha de judeus que participavam da resistência contra o nazismo alemão. Sua mãe estava grávida quando foi capturada pelos alemães e levada para a prisão, onde Hannah nasceu.
Hannah era apenas um bebê quando seus pais foram então encaminhados para o fuzilamento. Mas ela sobreviveu porque sua mãe, antes de ser fuzilada, a colocou em um pequeno embrulho, que amarrou nas costas. Quando sua mãe foi fuzilada, acabou caindo sobre Hannah. E, em cima dela, caíram outras pessoas, contou Hannah.
Um oficial alemão que acompanhou o fuzilamento notou que a mãe de Hannah, antes de ser fuzilada, tentava proteger alguma coisa. Ele ficou curioso para saber porque ela dava tanta importância para aquilo que ela tentou proteger. Então, ele mandou todo mundo para casa e, quando todos saíram, ele voltou para lá e puxou esse embrulho que estava embaixo da minha mãe. Foi então que ele viu que era uma criança.
O oficial alemão a colocou em uma mochila, sem que ninguém a visse, e foi deixá-la entre um grupo de judeus da resistência. Os resistentes sabiam que essa criança só podia ser filha da minha mãe, que era uma resistente que foi pega grávida. E eu acabei sendo entregue a uma senhora que era responsável pelo Serviço Social da Infância, uma mulher que acabou salvando mais de 5 mil crianças judias, contou.
Hannah foi levada a um orfanato e, quando completou 9 anos de idade, acabou sendo adotada por um casal que imigrou para o Brasil, onde vive até os dias de hoje.
A história de Hannah ilustra o que foi o Holocausto, o assassinato em massa dos judeus que viviam na Europa. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos o define como a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão, seus aliados e colaboradores.

