A mulher fotografada enquanto fechava os olhos do cadáver do marido em meio a uma fila de corpos tem um nome: Fernanda da Silva Martins.
A imagem do repórter fotográfico da
Agência BrasilTomaz Silva com o pranto da viúva, de 35 anos, rodou o mundo e foi republicada em jornais e sites do país e do exterior para retratar a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.
Deflagrada pelo governo do estado do Rio para cumprir mandados e coibir a facção criminosa Comando Vermelho, a Operação Contenção deixou 122 mortos entre 28 e 29 de outubro de 2025, incluindo cinco policiais.
O confronto teve reflexos em toda a cidade se estendeu madrugada adentro na Serra da Misericórdia, região desabitada entre os complexos do Alemão e da Penha, onde familiares de mortos e ativistas de direitos humanos denunciam ter havido sinais de execução.
Já autoridades policiais alegaram, na época, que os mortos são criminosos que reagiram e atentaram contra a vida de seus agentes. Para o governador, Cláudio Castro, a incursão foi um sucesso.
Depois da ação, moradores do Complexo da Penha retiraram cerca de 80 pessoas mortas de uma área de mata e os enfileiraram em uma rua na Vila Cruzeiro, onde permaneceram por horas, diante de vizinhos e familiares, até que fossem encaminhados ao Instituto Médico Legal, no centro da cidade.
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Por respeito à condição de Fernanda, no momento da foto, a
Agência Brasilpreferiu evitar abordar parentes das vítimas, seguindo a política editorial da
Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Passados esses três meses, a reportagem a reencontrou na comunidade do Complexo do Alemão onde mora com três dos quatro filhos, de 15, 11 e 8 anos.
A imagem dela feita pela
Agência Brasilretrata seu maior momento de luto, afirma. Apesar das condições em que foi fotografada, ela disse que "sua dor ganhou importância" com a repercussão.
"Ali, sentiram a minha dor. Muita gente [me] crucificou, mas outras me ligaram, se comoveram. A foto foi de um sentimento muito real", avaliou.

