A economia dos Estados Unidos desacelerou mais do que o previsto nos últimos meses de 2025, segundo dados divulgados pelo governo federal nesta sexta-feira. De acordo com a estimativa inicial do Departamento de Comércio, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre.
O resultado representa uma forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,4% registrado no trimestre anterior. Segundo o governo, a perda de fôlego ocorreu, em parte, devido à redução no ritmo dos gastos do consumidor — responsável por cerca de dois terços da atividade econômica do país.
Indicadores recentes já apontavam sinais de enfraquecimento. As vendas no varejo ficaram estagnadas em dezembro, sugerindo desempenho mais fraco durante a temporada de fim de ano. Ao mesmo tempo, o endividamento em cartões de crédito aumentou e a confiança do consumidor permaneceu em níveis baixos.
O novo dado do PIB surge em um momento em que autoridades econômicas ainda enfrentam inflação acima da meta e um mercado de trabalho enfraquecido. Embora a inflação tenha desacelerado em janeiro, atingindo o menor nível em nove meses, ela segue acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed).
No mercado de trabalho, o relatório mais recente mostrou criação de vagas acima do esperado em janeiro. No entanto, revisões indicaram que, ao longo do ano passado, houve quase estagnação nas contratações.
A combinação de inflação persistente e desaceleração do emprego levanta o risco de “estagflação” — cenário de baixo crescimento com preços elevados. Essa situação coloca o Fed em posição delicada, já que o banco central precisa equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao emprego, utilizando principalmente a taxa de juros como instrumento.
Em janeiro, o Fed manteve os juros inalterados, interrompendo uma sequência de três cortes consecutivos. O mercado financeiro projeta dois novos cortes de 0,25 ponto percentual ainda este ano, o primeiro possivelmente em junho e outro no segundo semestre, segundo estimativas acompanhadas pelo CME FedWatch Tool.
Fonte: ABC

