A IMG Academy, tradicional escola esportiva com sede em Bradenton, na Flórida, concordou em pagar US$ 1,7 milhão para encerrar uma ação de responsabilidade civil após permitir a matrícula de dois estudantes ligados a um cartel mexicano.
O acordo foi anunciado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo o órgão, a academia acumulou 89 violações às sanções federais de combate ao narcotráfico ao continuar recebendo pagamentos de mensalidades ao longo de quatro anos.
De acordo com o OFAC, indivíduos previamente designados e sancionados por fornecer apoio financeiro e serviços a um cartel mexicano conseguiram realizar transações com uma instituição americana e acessar o sistema financeiro dos EUA por meio dos pagamentos feitos à escola.
Pagamentos e falhas de verificação
O órgão federal informou que a IMG recebeu transferências bancárias de terceiros no México como parte dos acordos de matrícula. A escola tinha acesso aos nomes dos indivíduos sancionados, mas não realizou a devida verificação nas listas de restrições do governo americano.
Os nomes dos estudantes e as modalidades esportivas que praticavam não foram divulgados.
Segundo o governo, um dos indivíduos sancionados matriculou o filho em 2018 no programa de internato da instituição, renovando a matrícula por cinco anos e pagando até US$ 98,8 mil por ano. Em 2020, outro cidadão listado como “especialmente designado” inscreveu um filho por dois anos, com mensalidades de até US$ 102,2 mil anuais.
Os pagamentos foram feitos por meio de transferências de terceiros no México e cartões de crédito vinculados aos alunos.
Investigação e acordo
Embora a IMG tenha afirmado que comunicou o caso às autoridades assim que tomou conhecimento da situação, o OFAC informou que já havia iniciado investigação sobre as possíveis violações.
O órgão apontou que a escola demonstrou “desconsideração imprudente” às exigências das sanções ao não realizar checagens adequadas. Ainda que não tivesse conhecimento direto de que os responsáveis eram sancionados, a instituição tinha ciência das transações que deram origem às infrações.
Em nota ao jornal *Bradenton Herald*, a IMG afirmou que, entre 2018 e 2022, não possuía um programa formal de conformidade com sanções do OFAC. Após mudança de controle acionário em 2023, a escola implementou um programa de compliance baseado em avaliação de risco e adotou medidas adicionais de verificação.
O OFAC recomendou que instituições façam triagens de estudantes, pagadores e parceiros comerciais na lista de indivíduos sancionados para evitar negociações proibidas.
Fonte: Miami Herald

