Democratas enviaram nesta segunda-feira uma contraproposta à Casa Branca e a parlamentares republicanos para reformar a atuação das agências de imigração, em meio ao impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
O financiamento do DHS expirou no sábado. A pasta supervisiona o Immigration and Customs Enforcement (ICE) e a Customs and Border Protection (CBP). Democratas prometeram barrar novos recursos sem a implementação de reformas nas duas agências, após dois tiroteios fatais envolvendo agentes federais durante operações de imigração em Minneapolis no mês passado.
Uma extensão temporária do orçamento, que daria mais tempo às negociações, terminou na semana passada sem acordo. Embora democratas e a Casa Branca tenham trocado propostas e minutas de projetos, as divergências persistem. Um porta-voz do líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, confirmou o envio de uma nova oferta, mas os detalhes não foram divulgados.
Parlamentares estão em recesso nesta semana, mas poderão ser convocados de volta a Washington caso haja consenso. Ainda assim, integrantes de ambos os partidos indicaram que um acordo não parece iminente.
Pontos de conflito
Em entrevista à CNN, Schumer afirmou que os democratas têm “três objetivos básicos” para conter abusos e reduzir a violência: acabar com patrulhas itinerantes e restringir a entrada de agentes do ICE em determinados locais; estabelecer um código de uso da força para agentes de imigração; e exigir que os agentes não utilizem máscaras, além de portar câmeras corporais.
Segundo ele, as propostas têm apoio popular e seguem práticas adotadas por departamentos de polícia em todo o país. Republicanos, no entanto, resistem especialmente à exigência de que agentes deixem de usar máscaras, argumentando que a medida comprometeria a segurança dos profissionais diante do aumento de ameaças e agressões.
O presidente Donald Trump afirmou que pretende se reunir com democratas para discutir o financiamento do DHS, mas declarou não concordar com parte das exigências. “Vamos proteger as forças da lei. Vamos proteger o ICE”, disse.
Serviços afetados
Apesar da paralisação, ICE e CBP continuam operando graças a recursos adicionais aprovados no ano passado. No entanto, outras agências vinculadas ao DHS — como a Administração de Segurança no Transporte (TSA), a Guarda Costeira e a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) — são impactadas. A maioria dos funcionários segue trabalhando, mas sem receber salário até que o impasse seja resolvido.
Se não houver acordo, o Congresso só deve retomar as atividades em 23 de fevereiro, um dia antes do discurso do Estado da União, previsto para ser feito por Trump. Questionado se manteria o pronunciamento mesmo com a paralisação em curso, o presidente respondeu que sim.
Fonte: CBS

