O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, presta depoimento pela primeira vez em um júri popular que vai decidir se redes sociais como Instagram contribuíram para o vício e danos à saúde mental de crianças e adolescentes. O julgamento ocorre em Los Angeles e é considerado um marco jurídico contra gigantes da tecnologia.
Embora Zuckerberg já tenha sido questionado no Congresso americano sobre o tema, especialistas apontam que o risco agora é maior. Caso a Meta perca a ação, poderá ser condenada ao pagamento de indenização, além de ver enfraquecida sua principal linha de defesa em milhares de processos semelhantes nos Estados Unidos.
A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que afirma ter começado a usar Instagram e YouTube ainda na infância. Segundo o processo, as plataformas teriam incentivado o uso contínuo por menores de idade com foco em lucro, mesmo cientes dos possíveis impactos negativos à saúde mental.
A autora sustenta que os aplicativos contribuíram para quadros de depressão e pensamentos suicidas e pede que as empresas sejam responsabilizadas.
Defesa das empresas
A Meta e o Google negam as acusações. As companhias afirmam que vêm implementando ferramentas de proteção e citam estudos que, segundo elas, não comprovam relação direta entre redes sociais e prejuízos à saúde mental infantil.
Durante o julgamento, Zuckerberg deve ser questionado sobre pesquisas internas e discussões dentro da empresa relacionadas ao impacto do uso das plataformas por adolescentes.
Na semana anterior, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, declarou desconhecer um estudo interno que não encontrou ligação entre supervisão dos pais e maior controle dos jovens sobre o uso das redes. Documentos apresentados no tribunal indicam que adolescentes em situações vulneráveis relataram uso frequente e automático da plataforma.
Advogados da Meta argumentam que os registros médicos da autora apontam que seus problemas têm origem em uma infância difícil e que as redes sociais funcionaram como espaço de expressão criativa.
Debate global
O caso ocorre em meio a um movimento global de maior regulação das plataformas digitais. Países como Austrália e Espanha proibiram o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. Nos Estados Unidos, a Flórida vetou contas para menores de 14 anos, medida contestada judicialmente por entidades do setor.
O julgamento é visto como um teste para milhares de ações movidas por famílias, distritos escolares e estados americanos, que acusam empresas como Meta, Alphabet, Snap e TikTok de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens.
Fonte: G1

