Nem sempre esporte está relacionado a coisas boas no Brasil. Em dez anos, o futebol brasileiro tornou-se líder no ranking com o maior número de mortes de torcedores no mundo.
A constatação é do sociólogo Maurício Murad, e faz parte do seu livro, que deverá ser lançado nos próximos seis meses, “Para entender a violência no futebol”.
No início da pesquisa, na década passada, o Brasil aparecia atrás de Itália e Argentina. Dez anos depois, atingiu o topo, graças à ação dos dois países para garantir a segurança nos estádios e arredores.
“A repressão em curto prazo, a prevenção no médio prazo e a reeducação no longo prazo. Com medidas públicas, legislação, com proibição de bebida alcoólica, se controla e coloca a agressão e a violência sob a sociedade, sob a justiça, sob a lei e sob a ordem. E, não ao contrário, como se vê hoje”, disse Murad ao “Sport TV”.
“As torcidas se tornam militarizadas e passam a agir como se fossem pelotões e contingentes militarizados. E depois, com a articulação com o crime organizado, isso tudo gera esse confronto horroroso que agride a nossa consciência e que precisa ser contido já”, ressaltou. “O Brasil é o maior país do mundo por morte de confrontos entre torcedores. Isso é gravíssimo. Os marginais são a minoria das torcidas organizadas, entre 5% e 7%. É uma minoria perigosa, que tem que ser contida. Eles são armados e treinam lutas em academias clandestinas”, acrescentou o sociólogo.
A maior violência é registrada em dias de clássico. Um dos poucos em que a tranquilidade reina entre as duas torcidas é Vasco x Botafogo, desde o histórico do futebol no início do século XX, diz Murad.
“O time vencedor pagava um jantar para a torcida do time perdedor. Há uma declaração célebre da vascaína Dulce Rosalina, primeira mulher a ser chefe de torcida organizada no Brasil, em que ela dizia o seguinte: ‘Já perderam, né? Vamos pagar para eles’. Isso é de uma generosidade! ”, completou o estudioso.

