Quem curte futebol e acompanha o seu time do coração pelas mídias, sempre se depara com comentaristas que "cutucam" o time amado.
O torcedor quer a mídia falando do time dele, mas não falando mal, para isso já
existem as torcidas adversárias.
O torcedor apaixonado até que tolera a crítica justa e a notícia dos fatos negativos, mas está se revoltando com a estratégia armada para a geração de audiência.
Antes de mais nada, é preciso dividir essa categoria profissional. Dentre os comentaristas, estão os jornalistas diplomados, os ex-jogadores e ou ex-árbitros e os que são radialistas, ou homens de mídia. Isso posto, ainda há que separar os sensatos dos
apaixonados. Afinal, pode-se contar nos dedos, aqueles que realmente não torcem por algum time. A maioria esconde ou tenta disfarçar sua preferência.
Atualmente a "briga" pela audiência anda tão feroz, e os antes comentaristas de fatos, viraram arquitetos de suposições.
Com a velocidade da informação turbinada pela internet e dada a facilidade de qualquer pessoa tornar-se um formador ou repetidor de opinião, o jornalismo esportivo tornou-se extremamente ácido e frenético.
Os programas de rádio e televisão no formato "mesa redonda", se multiplicaram na última década. Sites, blogs, twitteres e redes sociais dão a marca de 24/7 nas notícias e nas fofocas futebolísticas.
Infelizmente essa quantidade não veio acompanhada de qualidade.
É incrível a quantidade de informações erradas que são divulgadas por esses "profissionais". Principalmente nos programas ao vivo, onde o debate envolve entre três e até dez comentaristas.
O tempo limitado, a corrida pelo índice do IBOPE e a ânsia de dar "o furo" da notícia, estão transformando essa categoria em arautos de fofocas e cômicos da notícia.
Vem sendo objeto comum destes personagens, começarem seus comentários e
opiniões com, "dizem", "se" e "quem sabe". Eles falam muito, mas não dizem quase nada.
Os "porquês" também são ferramentas do cotidiano dos comentaristas.
Não importa o assunto e nem o fato, quando o resultado não é de vitória, vem uma enxurrada de "porquês". Até mesmo nas vitórias eles acham algo que poderia ter sido melhor. Ficou complicado agradar a tantos interesses.
Acompanhando os programas de rádio e TV, encontramos equívocos recorrentes e que poderiam e deveriam ser evitados por esses comentaristas.
Ao errar datas, valores, nomes de times, capitais de estados e países, resultados e até mesmo em simples contas de somar e multiplicar, o comentarista está jogando no lixo a credibilidade tão cara e necessária.
O despreparo é evidente e irrita o público consumidor que agora faz alarde disso nas redes sociais e nas páginas da internet.
Um outro lado dessa nova tendência é a intocabilidade que eles defendem a capa e espada. Quando criticados e ou cobrados, se unem e montam uma verdadeira "máquina de moer", a quem tenha ousado enfrentá-los.
Vide a relação com Dunga à frente da Seleção Brasileira. E mais recentemente com o Felipão no Palmeiras.
De absolutamente necessários ao produto futebol, estão ultrapassando os limites éticos e estão se transformando em verdadeiros absurdos descartáveis.
Como são muitos e lutam por patrocinadores e maiores orçamentos, eles tornaram-se vorazes predadores. Os setoristas dos clubes das maiores torcidas destacam até troca de olhares para ressaltar "notícias" e quem sabe iniciar uma crise. Quando não há notícia, há que se inventar uma, essa é a impressão que eles estão passando para o público.
Nas entrevistas coletivas, os técnicos que respondem calmamente a todas as perguntas, mesmo que repetitivas, são considerados chatos e monótonos. Mas, bastou o técnico dar uma resposta acertiva, pronto. Os repórteres se alvoroçam e começam a irradiar o "nervosismo", a "irritabilidade" do entrevistado. Daí, para fomentar um começo de crise no time amado, é um pulo.
Os protestos dos ouvintes, telespectadores e leitores se multiplicam com a mesma velocidade e intensidade dos comentários "tortos".
Isso infelizmente, dá a eles, comentaristas, o que eles querem, tráfego na internet e audiência no IBOPE.
A melhor maneira de eliminar essa tendência dos meios de comunicação, é justamente o silêncio dos teclados.
Percebe-se claramente que em vários destes programas, a divulgação constante dos blogs, twitteres e sites dos comentaristas, tornou-se quase que uma obsessão pela fama, pela notoriedade e claro, arrecadar algum benefício financeiro.
Siga-nos no Twitter, no Facebook. Mandem torpedos. Ligue pra gente. Vamos lá. Participe.
Estes convites são os mais comuns e vários programas nem lêem e nem colocam a opinião do público no ar.
Sabe-se que as companhias telefônicas repassam parte do arrecadado nestas ligações e torpedos, para as empresas de rádio e televisão. Isso não é divulgado pelos próprios programas.
Os "porquês" também são ferramentas do dia a dia dos comentaristas. Não importa o assunto e nem o fato, quando o resultado não é de vitória, vem uma enxurrada de "porquês". Até mesmo nas vitórias eles acham algo que poderia ter sido melhor. Ficou complicado agradar a tantos interesses. Mas sai a luz pública através da própria mídia em outros segmentos informativos. Portanto, o torcedor desgostoso com o comentarista A ou B, basta não alimentá-lo com mensagens. Sejam as pagas ou as gratuitas. Sem retorno do público, ele cai por si só e o meio se livra de quem fomenta apenas a polêmica como meio de informação.

