Na escola, aprendemos
a ler e a escrever. Desenvolvemos conhecimentos sobre diferentes matérias, nos entediamos, adquirimos amigos e inimigos; e, algumas vezes, aprendemos a pensar. Ou assim haveria de ser. Mas, hoje, nas escolas adquirimos sobretudo regras, comportamentos pré-determinados e modos-de-ser pré-confeccionados.
Quando é que uma pessoa aprende a respeito do que sente? Como pode ela descobrir como lidar com suas sensações interiores, como entender seus pensamentos para saber qual resposta dar aos muitos desafios de cada dia? E o que dizer dos sonhos? E de todo aquele mundo de coisas que não parecem fazer sentido e que, entretanto, sentimos e persistem a nos cutucar nos assombrando?
Para saber o que fazer disso, precisa em primeiro lugar entender “o que é isso”. Infelizmente, não existe um lugar oficial e público para esse tipo de aprendizado. Quem quiser evitar fórmulas prontas, e realmente chegar a entender quem é, vai precisar sair do caminho coletivo e direcionar-se para a educação psicológica.
A educação psicológica ensina a linguagem do mundo interior, ajuda uma pessoa a entrar em contato com o universo da subjetividade e a educa a superar a baixa auto-estima, as vergonhas, as dúvidas. A educação psicológica permite, também, o aprendizado da coragem e da auto-afirmação, desenvolve a inteligência cognitiva e emocional junto à habilidade de entender os outros. Melhora a sensibilidade, dispara a sede pela vida e a força de vontade, além de promover uma atitude amorosa para consigo, os outros e o mundo.
A educação psicológica é tão importante quanto aprender a ler e a escrever. Não é pelo aprendizado de livros, mesmo os de psicologia, que uma pessoa vai poder se conhecer, mas desenvolvendo o olhar correto, aprendendo a refletir sobre si própria enquanto vive. Livros oferecem orientações e visões amplas do assunto, mas permanecem genéricos diante da realidade única e inimitável de cada indivíduo. Conhecer-se não é categorizar-se dentro de um determinado código de interpretação (cuidado psicólogos!). Ao contrário do que se pensa, esse modo de proceder consigo mesmo nos esclerotiza, nos castra, nos faz mais burros e problemáticos do que de fato somos. No lugar de abrir caminhos para a compreensão dos acontecimentos internos, os fecha pregando etiquetas e explicações prontas que servem para tapar os olhos e achar que “resolvemos” o “problema”.
O único modo para se conhecer sem se congelar em estereótipos é aprendendo a reflexão crítica sobre si próprio através do exercício da presença consciente. Essa é uma prática que só ocorre no diálogo com uma pessoa que já “funciona” assim, ou seja, com um psicoterapeuta treinado nessa modalidade de relação. Um psicoterapeuta é uma pessoa que sabe por as “mãos na massa”, porque caminhou sobre suas próprias pernas através de um longo aprendizado mental e emocional e, sobretudo, pessoal. Ele está em contato com a alma humana e pode, por isso, compreender as dos outros e ajudá-los a se compreenderem porque ele vive em constante e consciente contato com a própria.
Em tempos de tamanha ignorância a respeito de si mesmos, a educação psicológica deveria ser tão esperada quanto ir à escola, tão reconhecida e exigida quanto saber ler e escrever. As condições do nosso convívio social e de nossas nossas relações pessoais clamam por isso.
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