Aroma e conhecimento popular se mesclam em banquinhas de ervas espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro, em feiras livres ou nas esquinas, da zona norte à zona sul. Nesses pontos de venda, saberes passados de geração em geração receitam chás, xaropes, escalda pés, banhos e outras preparações. Mesmo sem comprovação medicinal para curar doenças, as preparações promovem o bem-estar e, por isso, no fim de ano, cresce a procura por folhas para banhos energéticos e rituais.
Em um ponto da Rua da Carioca, no Centro, o erveiro José Adaílton de Souza Ferreira borrifa suas plantas, de tempos em tempos, para protegê-las do calor. Empilhadas em um carrinho de mão estilo burro sem rabo, estão ramos de macassá, levante, manjericão, arruda, alfazema, alecrim e sálvia, as mais procuradas para banhos energizantes ou de descarrego, contra inveja e olho grande, prescreve.
Tem tanta gente que chega carregado aqui, toma um banho de abre-caminho, desata nó, vence demanda, e a pessoa melhora muito, conta o erveiro, que dá instruções simples: Cozinhar ou esfregar, um dos dois, e depois jogar da cabeça aos pés.

