Mais de 11 mil migrantes esperam em abrigos e campos no lado mexicano da fronteira para entrar nos Estados Unidos. São os requerentes de asilo que solicitam através das vias legais estabelecidas pela administração Biden.
Em Tijuana, no México, do outro lado da fronteira com San Diego, na Califórnia, cerca de 3.800 migrantes de países como México, Cuba, Haiti e Venezuela estão hospedados em abrigos, segundo o diretor municipal de assuntos de migração, Enrique Lucero. Em Reynosa, no México, do outro lado da fronteira com McAllen, no Texas, outros 3.273 migrantes aguardam nos abrigos Senda De Vida, segundo o pastor Hector Silva, que administra as instalações. E na vizinha Matamoros, no México, cerca de 4.000 migrantes vivem em campos, abrigos e casas abandonadas, diz Glady Cañas, que dirige a organização sem fins lucrativos Ayudandoles a Triunfar.
Os migrantes que aguardam sentem-se “desesperados”, segundo Cañas – mas muitos confiaram em mecanismos como a aplicação CBP One, que automatiza o agendamento de consultas para pedir asilo com a patrulha de fronteira, disse ela.
Nas últimas semanas, as cidades fronteiriças dos EUA têm lutado sob o peso de um aumento sem precedentes de pessoas que atravessam o México para os EUA. As autoridades federais relataram uma média de sete dias de mais de 9.600 encontros de migrantes ao longo da fronteira sul dos EUA em dezembro, informou a CNN na sexta-feira. Para efeito de comparação, a média de sete dias relatada em 28 de novembro foi de cerca de 6.800 encontros.
Segundo Cañas, três migrantes morreram afogados no Rio Grande, na região de Matamoros, em dezembro, mas as pessoas continuam tentando atravessar o rio apesar dos perigos letais. Os migrantes que optam por não esperar por um caminho legal ficam muitas vezes cegos pela esperança, impulsionados por mensagens de vídeo e de voz que recebem de migrantes que foram processados pelas autoridades de imigração dos EUA e foram libertados em comunidades americanas, disse ela.
“Os migrantes apenas partilham a beleza, mas não partilham a realidade… é isso que me preocupa”, disse Cañas.
Suas chances são mínimas. Desde maio, o Departamento de Segurança Interna dos EUA deportou ou devolveu mais de 445 mil migrantes – a grande maioria dos quais tinha atravessado a fronteira sul dos EUA, informou a agência online.
O governo federal também fechou portos de entrada em vários estados e deslocou pessoal para transportar e processar migrantes, enquanto tenta encontrar formas de maximizar os seus recursos limitados. A administração Biden também suspendeu temporariamente as operações ferroviárias em Eagle Pass e El Paso, mas esses serviços foram retomados na sexta-feira.
Apesar da melhoria do cenário em Eagle Pass, as travessias ilegais continuam, disse o mesmo responsável, e estão a ser alimentadas por maus atores que pressionam os migrantes a entrar na fronteira sul dos EUA entre os portos de entrada, incluindo as áreas rurais do Arizona.
A CNN também soube que grandes grupos de migrantes continuam a chegar à fronteira de comboio. Segundo a Irmã Isabel Turcios, diretora de um abrigo para migrantes em Piedras Negras, no México – que fica do outro lado da fronteira de Eagle Pass – cerca de 1.000 migrantes chegaram de comboio na segunda-feira. Ela disse que a violência nas ruas de Piedras Negras impediu temporariamente que grandes grupos de migrantes atravessassem para os EUA na segunda-feira.
Nesta quarta-feira, 27, o presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, o secretário de Segurança Interna dos EUA, Alejandro Mayorkas, e a conselheira de Segurança Interna do presidente Biden, Elizabeth Sherwood-Randall, na Cidade do México.
Fonte: CNN.

