A agência de Minnesota responsável por investigar mortes causadas por agentes de segurança anunciou sua retirada do inquérito sobre o assassinato de Renee Good, de 37 anos, morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Minneapolis. O motivo, segundo o órgão estadual, é que o FBI teria restringido o acesso a provas essenciais do caso.
O Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota (BCA) afirmou que, inicialmente, conduzia a investigação em conjunto com o FBI. No entanto, segundo a agência, o Departamento de Justiça federal mudou de posição e determinou que o caso passaria a ser conduzido exclusivamente pelo FBI, impedindo o BCA de acessar materiais do processo, evidências da cena do crime e entrevistas com testemunhas.
“Sem acesso completo às provas e informações, não conseguimos atender aos padrões investigativos exigidos pela lei de Minnesota e pela população”, afirmou o BCA em nota, ressaltando que sua unidade foi criada justamente para garantir transparência, responsabilidade e confiança pública.
O FBI se recusou a comentar. Já o governador de Minnesota, Tim Walz, criticou duramente a decisão e exigiu a participação do estado na apuração. Autoridades municipais de Minneapolis também classificaram a medida como “profundamente decepcionante”.
Quem era Renee Good
Renee Good era cidadã americana, mãe de três filhos e viúva. Segundo autoridades locais, ela não era alvo de prisão e atuava como observadora legal de ações federais. Testemunhas afirmam que ela estava dirigindo quando foi abordada por agentes do ICE. O governo federal sustenta que o disparo ocorreu em legítima defesa, versão contestada por vídeos, relatos de testemunhas e autoridades locais.
Nascida no Colorado, Good era formada em Letras, poeta, escritora e ex-apresentadora de podcast. Amigos e familiares a descrevem como extremamente compassiva. Ela havia se mudado recentemente para Minneapolis.
Vídeos e histórico do agente levantam questionamentos
Imagens do incidente mostram um agente apontando a arma para o veículo de Good antes de disparar. Não está claro se o agente foi atingido pelo carro, como alegam autoridades federais. O agente envolvido fazia parte de uma unidade tática especial do ICE e já havia sido arrastado por um carro em uma operação anterior, em 2025.
O caso ocorre em meio a críticas sobre a atuação de agentes federais e ao envio de cerca de 2 mil agentes para a região, como parte de uma ofensiva do governo Trump contra imigração e fraudes no estado.
Fonte: CBS

